Círdan

Escrito por Gwen. Publicado em Personagens

Círdan é um Elfo Teleri, o mais antigo da Terra Média e de grande sabedoria. Teria cerca de 11.363 anos quando finalmente partiu da Terra Média, pois despertou ainda em Cuiviénen, seguiu na grande viagem para Aman e habitou nas costas de Beleriand, perto das bocas do Sirion. Mas Ossë, um Maia vassalo de Ulmo, cujo cuidados eram pelas costas, desagradava-lhe que as vozes dos Teleri não voltassem a ser ouvidas no seu domínio, se fossem todos para Aman. Então, persuadiu alguns a ficar, e esses foram os Falathrim, os Elfos das Falas, que em dias posteriores habitaram nos Portos de Brithombar e Eglarest, os primeiros marinheiros da Terra Média e os primeiros construtores de navios. Eram os mais suaves cantores de todos os Elfos e aprenderam com Ossë toda a tradição do mar e música do mar, enchendo as suas canções com o som das ondas na praia. E Círdan, o Construtor Naval, era o seu Senhor.

Círdan é o nome Sindarin para "Armador". Diz-se que era parente de Elwë, o Rei Thingol, e quando ele se perdeu, foi um dos que mais procuraram por ele e esse foi também um dos motivos porque se demorou e não foi "transportado" por Ulmo para Ocidente, pois o seu maior desejo era ver o Reino Abençoado. Portanto, sonhava em construír um barco que alcançasse as costas de Valinor. Recebeu então uma visão, a do barco de Eärendil, que ele ajudou a construir.

Foi Círdan que ofereceu a Thingol as pérolas com que ele recompensou os Anões quando construíram Menegroth, as suas Mansões Ocultas. Havia uma, enorme, de nome Nimphelos, que o senhor de Belegost prezava acima de todas as suas riquezas.

Na Batalha Sob-as-Estrelas, quando o exército de Morgoth atacou Fëanor antes de estarem preparadas as suas defesas, Círdan viu-se cercado nos Portos das Falas; mas Celegorm, filho de Fëanor, partiu com uma parte da hoste élfica e, atacando os Orcs, rechaçou-os para o Pântano de Serech. A vitória dos Noldor foi total, apesar de terem perdido Fëanor, e os planos de Morgoth para conquistar Beleriand foram um fracasso. Todos os Elfos de Beleriand ficaram cheios de esperança com a vinda dos seus poderosos parentes do Ocidente.

Finrod tornou-se o Senhor Supremo de todos os Elfos de Beleriand entre o Sirion e o mar, excepto apenas nas Falas; mas entre Círdan e Finrod havia amizade e aliança e, com a ajuda dos Noldor, os Portos de Brithombar e Eglarest foram reconstruídos. No cabo a Ocidente de Eglarest ergueu Finrod a torre de Barad Nimras, para vigiar o mar ocidental, embora escusadamente, pois nunca tentou Morgoth fazer barcos ou guerra por mar. Com a ajuda dos Elfos dos Portos, alguns habitantes de Nargothrond construíram novos barcos e exploraram a grande Ilha de Balar, pensando aí preparar um novo refúgio.

Quando se deu a Batalha da Chama Súbita, Fingolfin, rei supremo dos Noldor, ficou separado do seu povo por um mar de inimigos e pensou que era a ruína total do seu povo; então, cheio de cólera, partiu sózinho para as portas de Angband e desafiou Morgoth para um combate singular. Acabou por ser morto por Morgoth, mas não sem primeiro o ferir com sete feridas e cortar-lhe um pé. Fingon, seu filho, assumiu a soberania do reino dos Noldor; mas enviou o seu jovem filho Ereinion (que depois veio a chamar-se Gil-galad) para os portos, junto de Círdan.

Para evitar que Morgoth destruísse todos os reinos de Beleriand, um por um, Maedhros, filho de Fëanor, ao saber das proezas de Beren e Lúthien, resolveu fazer uma aliança, a que se chama a União de Maedhros, reunindo toda a força possível de Elfos, Homens e Anões, e atacaram Angband. Os Elfos das Falas, comandados por Círdan, também participaram. Foi a batalha das Lágrimas Inumeráveis; pois não há canto ou história que possa conter todo o seu sofrimento. O triunfo de Morgoth foi total; mas não teria alcançado essa vitória se não fosse a traição de alguns homens. Nessa batalha caíu Fingon, rei supremo dos Noldor, a lutar com Gothmog, senhor dos Balrogs; mas um outro balrog aproximou-se por trás e lançou uma faixa de fogo em redor de Fingon e só assim Gothmog conseguiu atingi-lo com o seu machado preto.

Grande foi o triunfo de Morgoth, e os orcs e os lobos andavam livremente por todo o Norte e avançavam cada vez mais para Sul, para Beleriand. Apenas Doriath e os palácios de Nargothrond sobreviveram, pois estavam ocultos; mas Morgoth ainda não esgotara todos os seus planos.

Muitos fugiram para os Portos e refugiaram-se atrás das muralhas de Círdan, e os marinheiros subiam e desciam a costa e fustigavam o inimigo com desembarques rápidos. Mas no ano seguinte, Morgoth mandou grande força sobre Hithlum e Nevrast e fustigaram as Falas e cercaram as muralhas de Brithombar e Eglarest. Levavam consigo ferreiros, grandes engenhos e fazedores de fogo e, apesar da resistência que encontraram, romperam por fim as muralhas. Então, os Portos foram reduzidos a ruínas e a torre de Barad Nimras foi derrubada; e a maior parte da gente de Círdan foi chacinada ou escravizada. Mas alguns conseguiram embarcar e fugir por mar; e entre eles contava-se Ereinion Gil-galad, o filho de Fingon, que seu pai mandara para os Portos depois da batalha da Chama Súbita. Estes sobreviventes navegaram com Círdan para Sul, para a Ilha de Balar, e construíram um refúgio para todos quantos conseguissem lá chegar. Deixaram escondidos muitos barcos leves e velozes junto das bocas do rio Sirion, que os levariam junto de Círdan e do seu povo.

Turgon, senhor de Gondolin, enviou alguns mensageiros a Círdan pedir a sua ajuda, para construir sete barcos velozes que navegassem para Ocidente, para pedir a ajuda dos Valar; mas nunca chegaram novas desses barcos, pois apenas o último regressou, mas afundou-se à vista das costas da Terra Média. Apenas um desses mensageiros sobreviveu, com a ajuda de Ulmo.

Depois da destruição de Menegroth e Gondolin, muitos Elfos refugiaram-se junto ás bocas do Sirion; e Eärendil tornou-se senhor desses Elfos e travou grande amizade com Círdan. Com a sua ajuda, construíu Vingilot (Flôr de Espuma), o mais belo dos navios cantados. Os seus remos eram dourados e brancas as suas madeiras e as velas eram cor de prata, como a Lua. Foi com este navio e com o silmaril que Beren e Lúthien arrancaram da coroa de Morgoth que Eärendil viajou por mares nunca percorridos e acabou por chegar a Valinor, onde falou perante os Valar, por amor das duas famílias. É também com Vingilot, consagrado pelos Valar, que Eärendil navega nos mares do céu, com o silmaril brilhando como uma estrela; e vigia as fortificações do céu.

Os Valar marcharam para o Norte da Terra Média e desafiaram o poder de Morgoth; foi a Grande Batalha ou Guerra da Ira. Morgoth foi finalmente vencido, acorrentado e empurrado pela porta da Noite para o vazio eterno.

Depois disso os Valar chamaram os Elfos da Terra Média para partirem para a ilha de Eressëa, perto de Valinor. Mas nem todos os Eldar estavam dispostos a abandonar as terras onde longamente tinham sofrido e vivido, e alguns ficaram. Entre eles contava-se Círdan, Gil-galad, rei supremo dos Noldor na Terra Média e Elrond Meio-Elfo.

No final da 1ª Era, com a destruição de Beleriand, Círdan fundou Mithlond, os Portos Cinzentos. Gil-galad reina em Lindon e Círdan é seu conselheiro.

Sauron tenta seduzir os Elfos, apresentando-se como Annatar, senhor das Dávidas. Gil-galad não confia nele e não permite que entre no seu reino, nem os seus emissários. Sauron consegue, no entanto, seduzir os ferreiros de Eregion e forjam os Anéis do Poder. Sauron forja secretamente o UM mas Celebrimbor, o maior dos joalheiros élficos, compreende os seus desígnios. Começa a Guerra dos Elfos e Sauron. Os três anéis são escondidos, ficando um com Galadril e dois com Gil-galad, o rei supremo. Mas antes de partir para a Guerra da Última Aliança, Gil-galad entrega Narya, o Anel de Fogo a Círdan. Sauron destroi Eregion e depois tenta conquistar Lindon, onde pensa estarem os Anéis Élficos. Mas Gil-galad, com a ajuda de Elrond e Círdan, conseguem conter Sauron e pedem ajuda aos numenoreanos. Assim, conseguem derrotar Sauron e as terras Ocidentais desfrutam de paz durante muito tempo.

Depois da queda de Númenor, Elendil e os filhos fundam os reinos do Exílio: Arnor e Gondor. Tornan-se amigos de Gil-galad e de Círdan. Sauron regressa a Mordor.

Gil-galad e Elendil formam a Última Aliança entre Elfos e Homens, para derrotarem definitivamente Sauron. Conseguem cercar Sauron na sua fortaleza e durante sete anos mantêm esse cerco; mas por fim, Sauron apareceu e lutou com Gil-galad e Elendil. Ambos foram mortos e a espada de Elendil quebrou-se debaixo dele quando caíu. Mas Sauron também foi derrubado e Isildur cortou-lhe o anel do dedo com o fragmento da Narsil, e ficou com ele para si. Naquele combate mortal, só Isildur estava perto do pai; e com Gil-galad estavam Círdan e Elrond, que viram o que Isildur fez. Em vão tentaram convencer Isildur a destruir o Anel, lançando-o ao fogo de Orodruin, ali perto, onde o anel foi feito. Mas Isildur não quis ouvir os seus conselhos, dizendo que ficaria com o Anel para si, em memória do pai e do irmão que tinham falecido naquela guerra.

Na 3ª Era Círdan torna-se o senhor dos Portos Cinzentos, construíndo os navios que levam os Elfos para Valinor.

Juntamente com o exército de Gondor, Círdan convocou todos quantos quisessem e desafiaram o poder do Rei-Bruxo de Angmar. Foram ao seu encontro em Fornost, e com as forças de Rivendell, comandadas por Glorfindel, acabaram com o reino maldito de Angmar.

Quando Mithrandir chegou aos Portos Cinzentos, Círdan, que tinha uma visão maior e mais profunda do que qualquer outro na Terra Média, e era conhecedor do coração de Elfos e Homens, acolheu-o com satisfação e reverência, adivinhando nele o espírito mais elevado e mais sábio. Confiou à sua guarda o terceiro Anel, Narya, o Anel do Fogo, dizendo: "Tome este anel, Mestre, pois os seus labores serão pesados. Mas ele ajudá-lo-á nas fadigas que tomou sobre os ombros. É o Anel do Fogo, e com ele reacenderá corações num mundo que arrefece".
Quanto a mim, o meu coração está com o mar e viverei nas praias cinzentas até o último barco se fazer á vela. Esperarei por si".

Quando se começou a desconfiar de uma sombra na Floresta Tenebrosa, e que essa sombra podia significar o regresso de Sauron, constituiu-se o conselho dos sábios, chamado Conselho Branco, e nele participavam Elrond, Galadriel, Círdan e outros senhores dos Eldar, e com eles estavam Mithrandir e Curunír. Nesses conselhos tentavam arranjar forma de combater a sombra que se adensava cada vez mais.

Círdan esperou pelos Três Guardiões, Bilbo e Frodo e conduziu-os aos Portos Cinzentos, onde partiram por mar. No entanto, ele próprio disse a Mithrandir que só partiria quando o último barco se fizesse à vela. Foi sem dúvida uma figura importantíssima na história da Terra Média, tendo participado em todos os acontecimentos relevantes durante várias Eras. E este é o resumo da história de Círdan, o Construtor Naval.

Círdan
Portos cinzentos

Este artigo foi escrito por Gwen