Minas Ithil - Minas Morgul

Escrito por Gwen. Publicado em Locais & Construções

Depois do afundamento de Númenor, Elendil e seus filhos fundam os reinos no exílio de Arnor e Gondor, em 3320 da 2ª Era. O reino de Gondor era partilhado por Isildur e Anárion e a sua capital era Osgiliath, atravessada pelo rio Anduin e onde os seus tronos estavam lado a lado, no seu grande palácio. Mas Isildur e Anárion resolveram construir duas cidades fortificadas, de cada lado do rio: Minas Anor, a Oeste, a Torre do Sol Poente, a cidade de Anárion e que funcionava como um escudo contra os homens selvagens dos vales, e Minas Ithil, a Torre da Lua Nascente, a cidade de Isildur, mesmo nas costas das Montanhas da Sombra, como uma ameaça a Mordor.

Eram as cidades gémeas, com torres muito altas e Minas Ithil era branca como prata e havia nela uma alta torre com uma pedra como a Lua que irradiava a sua luz, e à sua volta grandes paredes de mármore brancas. A estrada que seguia dos seus portões e a ponte que atravessava o rio também eram de mármore branco, rodeada de um verdejante vale, e a cidade erguia-se bela e radiante na concavidade dos montes. Isildur plantou o fruto de Nimloth, a árvore Branca de Númenor diante da sua casa, em Minas Ithil, visto ter sido ele que salvara o fruto da destruição. Mas as Palantír foram repartidas: Elendil ficou com três e Isildur e Anárion ficaram com quatro, que distribuíram por Minas Ithil, Minas Anor, Orthanc e Osgiliath.

Mas Sauron tinha voltado a Mordor em segredo, e sentiu grande cólera quando soube que Elendil e os seus filhos tinham escapado do afundamento de Númenor e que Isildur, que tanto odiava, estava a construir uma cidade mesmo nas suas fronteiras. E antes de decorridos muitos anos, chamou a si grande força dos seus servidores, e entre eles encontravam-se muitos da raça superior de Númenor, que Sauron tinha corrompido e dado anéis do poder, tornando-se grandes senhores entre um povo cruel que habitava a Sul de Mordor: os Haradrim. Juntamente com muitos Orcs, atacaram Minas Ithil em 3429 (2ª Era), os seus portões foram destruídos e o inimigo entrou pela cidade, destruíndo tudo no seu caminho e Sauron derrubou a Árvore Branca. Mas Isildur e a sua família conseguiram escapar e levaram um rebento de Nimloth, que mais tarde Isildur plantou em Anor, para onde fugiram. Anárion conseguiu resistir ao ataque de Sauron, defendeu a parte Oeste de Osgiliath contra o inimigo e repeliu-o para as montanhas. No entanto, sabia que se não recebesse auxílio rapidamente, o seu reino não duraria muito tempo. Então, Isildur e a família foram pelo Anduin pedir auxílio a Elendil, deixando a bela cidade branca cheia de fogos e ruína.

Elendil e Gil-galad formam a Última Aliança em 3430 da 2ª Era, unindo os seus esforços para matar Sauron e cercam-no em Barad-dûr.

O facto de Sauron estar na posse de Minas Ithil constituía uma grande desvantagem para o exército da Última Aliança, pois enquanto o cercavam em Barad-dûr tinham que ter sempre uma parte das suas forças estacionadas nas Ephel Dúath, a cordilheira entre Gondor e Mordor, para protegerem Osgiliath e impedirem que o exército fosse atacado pelas costas a partir de Minas Ithil. Isso dividia e diminuia as suas forças; e ainda havia a possibilidade de Sauron tentar escapar para lá, fugindo ao cerco de Barad-dûr. Por isso, Isildur, que sentia grande dor ao ver a sua bela cidade conspurcada por aquelas criaturas, enviou Aratan e Cyrion, seus filhos, para se prepararem para essa eventualidade, enquanto ele arranjava reforços para o exército. E eles conseguiram reconquistar a cidade, atacando-a de surpresa; tinham a vantagem de conhecerem bem o terreno e foram bem sucedidos. Os Nazgûl fugiram para Mordor, sem tempo de levar consigo o palantír.

Ao fim de sete anos de cerco, Gil-galad e Elendil conseguiram derrubar Sauron, Isildur cortou o anel dominante da sua mão, o seu espírito fugiu e por muito tempo não voltou a assumir forma visível.

Os seus servidores foram dispersos, mas não totalmente destruídos. Os numenoreanos montaram guarda na terra de Mordor, construindo as fortalezas de Cirith Ungol, Durthang e as Torres em forma de dentes - Narchost e Carchost, ao lado da Morannon - para defender o posto mais oriental de Ithilien e Minas Ithil.

Mas aos poucos o poder de Gondor declinou e depois da Grande Peste a vigilância sobre Mordor enfraqueceu; alguns postos nas fronteiras de Mordor foram abandonados e Minas Ithil ficou vazia do seu povo, apesar de haver sempre lá uma guarda; dessa forma, o rei dos Bruxos (que era o Senhor dos Nazgûl), aproveitando a fraca vigilância, conseguiu entrar secretamente em Mordor em 1980 (3ª Era) depois de ter destruído o reino do Norte. Chama e reúne lá os restantes Nazgûl e em 2000 partem de Mordor, passando pelo desfiladeiro de Cirith Ungol e cercam Minas Ithil. Em 2002 a fortaleza acabou por cair nas mãos dos Nazgûl e apoderaram-se do palantír da torre, que passa para Sauron. Depois disso, deixou de se usar as pedras que restavam (Anor e Orthanc) de forma a impedir Sauron de estabelecer contacto; até que Saruman e Denethor II resolveram usar as suas, tendo sido apanhados numa armadilha da sua vontade superior. Muitas pessoas que ainda moravam em Ithilien fugiram para Minas Anor, pois Osgiliath, devido à peste e ao declínio de Gondor, estava já parcialmente em ruínas. Mas Minas Anor resistiu e passou a chamar-se Minas Tirith, a Torre da Guarda,orgulhosa e forte, que estava sempre em guarda com o mal de Morgul. Defendia a passagem do rio contra os terrores de Minas Morgul e assim, as terras que ficavam atrás deles ficaram protegidas da guerra e da destruição. O senhor dos Nazgûl tornou-se o soberano de Minas Ithil, que foi transformada num local de tal pavor e tormento que ninguém ousava olhar para ela; passou a chamar-se Minas Morgul, a Torre da Bruxaria, com as suas terríveis artes negras e que se manteve sempre em guerra com Minas Anor, no Ocidente.

Quando Eärnur era rei de Gondor, o Senhor de Morgul lançou-lhe um desafio para um combate singular, envergonhando-o de que já uma vez tinha fugido dele (o que não era verdade, o cavalo de Eärnur é que se tinha assustado com o senhor dos Nazgûl). Mas Mardil, o bom Mordomo, conseguiu conter a ira do rei e evitar que ele aceitasse o desafio. Mas em 2050 (3ª Era) volta a repetir o desafio: e Eärnur parte a cavalo para o enfrentar. Mas foi traído pelo Nazgûl e levado vivo para Minas Morgul e nunca mais ninguém o viu! Como Eärnur não tinha nenhum herdeiro, o Mordomo passou a governar a cidade em seu nome, até que voltasse. Desta forma o Sr. dos Nazgûl conseguiu acabar com a dinastia dos Reis em Gondor.

Durante muitos anos os Nazgûl não saíram da sua cidade, pois preparavam Mordor para o regresso de Sauron e Morgul tornou-se num lugar de tormento e pesadelo. Só em 3018 da 3ª Era Mordor combate abertamente Gondor, com a saída do senhor dos Nazgûl a comandar as suas hostes, apesar de se apresentar invísivel aos olhos de todos: esse ataque teve dois objectivos, forçar a passagem da ponte de Osgiliath para que os Nazgûl pudessem iniciar a procura do Anel e experimentar a força de Gondor.

Em Março de 3019 (3ª Era) Frodo e Sam, conduzidos por Gollum, aventuram-se muito perto do Vale de Morgul para entrarem em Mordor por Cirith Ungol. Tudo parecia deserto, abandonado e envolto em sombras, apesar de se sentir muita malignidade no ar. Na encruzilhada de estradas, vêm a enorme estátua de um Rei (possivelmente Elendil) violada e mutilada pelos Orcs. Mas curiosamente, a cabeça do velho Rei, caída à beira da estrada estava coroada com flores que lembravam pequenas estrelas, como se fosse um diadema de prata e ouro. Por estranho que pareça, um facto tão simples, naquela região assombrada, encorajou e deu esperança à pequena companhia, que sentiu que o senhor das Trevas não poderia dominar eternamente.

Mas à medida que se aproximavam de Minas Morgul, Frodo sentia o anel pesar cada vez mais, até que vê a cidade dos espectros, outrora tão bela. Agora era um fundo abismo de sombra, em que se erguiam as muralhas e a torre de Minas Morgul, irradiando uma ténue luz cadavérica , que não iluminava nada; da parte mais alta da torre girava uma imensa e fantasmal cabeça que sorria cruelmete para a noite, como uma mente que tudo via e as janelas da torre pareciam muitos olhos que vigiavam o vale. As portas da cidade lembravam uma boca negra que se abria nas muralhas, no ar havia um cheiro adocicado a cemitério e do rio subia um odor a podridão. E de repente, Frodo avançou para a ponte de mármore em direcção à cidade, como que comandado por uma força superior; foi Sam que o deteve e o fez voltar para trás. Ao deixar-se conduzir por ele, Frodo sente o anel resistir-lhe e puxá-lo pelo fio que tinha ao pescoço.

Depois de se terem desviado da estrada em direcção a Cirith Ungol, ouviram um grande trovão e da torre de Morgul jorraram relâmpagos, a terra tremeu e um grande clamor irrompeu da cidade. Ouvia-se o relinchar de cavalos loucos de fúria e medo e um grande guincho dilacerador. Então, da porta da cidade viram sair o exército de Morgul, com toda a hoste vestida de negro; filas e filas a marchar rápida e silenciosamente, como um rio sem fim. À frente ia um grupo de cavaleiros que se moviam como sombras comandadas por outra sombra maior: um cavaleiro todo de preto, com um elmo semelhante a uma coroa, que refulgia com uma luz perigosa. Era o próprio senhor de Morgul, que sente outro poder no seu vale e tenta descobrir do que se trata, enquanto Frodo sente uma vontade imperiosa de pôr o anel. Consegue no entanto resistir, com o auxílio do frasco que Galadriel lhe oferecera, com a luz de Eärendil.

Então, o rei dos Espectros esporeou o seu cavalo e atravessou a ponte, seguido por todo o seu exército, a maior e mais terrível hoste que saíra daquele vale desde o tempo de Isildur. E continuaram pela estrada que seguia para Osgiliath, para combaterem a sua cidade rival, Minas Tirith. A Guerra do Anel começara.

Após a Batalha dos Campos de Pelennor, em que o senhor de Morgul é morto por Éowyn e Merry, o exército do Ocidente parte de Minas Tirith numa tentativa desesperada de desviar o olhar de Sauron da sua própria terra e do portador do Anel. Quando chegam à encruzilhada de estradas, lavam a estátua de Elendil e a cabeça do Rei foi reposta no seu lugar. Gandalf é contra a ideia de tomarem Minas Morgul, pois o mal que existia nesse vale era tal que levaria os homens à loucura. Ao passarem perto da cidade perversa, viram-na escura e sem vida, agora que o seu senhor tinha morrido; mas mesmo assim, o ar do vale estava impregnado de medo e horror. Destruíram a ponte, lançaram chamas aos fétidos campos e prosseguiram para a Porta Negra.

Depois da morte de Sauron, Minas Ithil, no vale de Morgul, foi completamente destruída, devido ao grande mal que lá habitara durante 1022 anos e, embora com o tempo pudesse ser purificada, nenhum homem lá poderia viver durante longos anos.


Este artigo foi escrito por Gwen