Menegroth

Escrito por Olórin. Publicado em Locais & Construções

Provavelmente a “cidade” mais grandiosa da Terra Média foi a fortaleza Sindarin – Menegroth. No Silmarillion ficamos a saber que Thingol e o seu povo começaram por morar nas florestas de Neldoreth e Region. Foi só ao fim da terceira era de cativeiro de Melkor (em Valinor) que Melian advertiu Thingol de que a paz de Arda não duraria para sempre. Melian era uma Maia e “possuía uma grande previsão, à maneira dos Maiar”. Thingol pensou então numa maneira de construir uma morada real que ao mesmo tempo servisse de fortaleza. Nesta altura Thingol tinha já travado conhecimento com os anões de Nogrod e de Belegost e estes eram recebidos no seu domínio, Elwë recorreu então aos anões de Belegost e pediu-lhes que o ajudassem e aconselhassem de forma a construir uma grande fortaleza. O seguinte texto é um excerto do Silmarillion: “... e procurou a ajuda e o conselho dos anões de Belegost. De boa mente lhos deram, pois nesse tempo eram infatigáveis e estavam sempre ansiosos de novos trabalhos; ... dessa vez consideraram-se pagos, pois Melian ensinou-lhes muitas coisas que eles estavam interessados em aprender e Thingol recompensou-os com muitas e belas pérolas... Por isso os Naugrim trabalharam longa e gratamente para Thingol e conceberam para ele mansões à maneira das do seu povo, profundamente escavadas na terra. Onde o Esgalduin corria e separava Neldoreth de Region erguia-se, no meio da floresta, um monte rochoso a cujos pés o rio passava. Aí fizeram as portas do palácio de Thingol e construíram sobre o rio uma ponte de pedra, única maneira de se poderem transpor as portas. Para lá delas desciam largos corredores para altos salões e câmaras, abertos a grande profundidade na pedra viva, tantos e tão grandes que a essa residência se chamou Menegroth (Mil Cavernas).” Entre as pérolas que Thingol deu aos Naugrim estava Nimphelos, uma grande pérola que Círdan deu a Thingol. Não há menção de nenhuma cidade como esta no Ocidente da Terra Média. Tuna foi construída nas alturas em Tirion e Alqualondë num porto natural. Até Avallónë, que foi construída séculos mais tarde, não se conseguia comparar a Menegroth. Nem na Terra Média ela teve par, era única para a cultura e história da Terra Média na altura, foi uma inspiração pata a posterior Nargothrond e para o palácio de Thranduil em Mirkwood mas nenhuma destas consegui sequer aproximar-se da beleza e imponência das Mil Cavernas. No Silmarillion faltam as palavras adequadas para descrever a visão que Tolkien deve ter tido ao imaginar a cidade. Apenas temos: “... elfos e anões, juntos, cada qual na sua especialidade, gravaram as visões de Melian, imagens de maravilha e beleza de Valinor, para lá do mar. As colunas de Menegroth eram feitas à semelhança das faias de Oromë, tronco, ramos e folhas, e eram iluminadas com lanternas de ouro. Os rouxinóis cantavam lá como nos jardins de Lórien; e havia fontes de prata e bacias de mármore, e o chão era de pedras multicoloridas. Figuras esculpidas de animais e aves corriam pelas paredes, ou trepavam pelos pilares ou espreitavam entre os ramos entrelaçados com muitas flores. E, á medida que os anos foram passando, Melian e as suas aias encheram os salões de panos tecidos, onde se podiam ver os feitos dos Valar e muitas coisas que ainda estavam por acontecer. Era a mais bela residência de qualquer rei que já existira a oriente do mar.” Mas Menegroth nunca ficou “completamente” acabada. Thingol foi construindo armarias para os seus guerreiros, e após Melkor ter destruído os reinos dos Noldor Thingol construiu câmaras à parte para os anões de Belegost e de Nogrod se instalarem quando as suas grandes companhias faziam uma visita às Mil Cavernas. Menegroth não era completamente subterrânea. As terras em redor do monte eram aparentemente muito utilizadas pelos Elfos. A grande árvore Hirilorn ficava num jardim no lado norte do rio e Thingol mandou construir uma casa para Luthien nos ramos da árvore. O maior salão de Menegroth de ter sido o tribunal de Thingol, do qual pouco se fala nas histórias. Beleg trouxe Nellas a este salão para testemunhar a favor de Turin no caso da morte de Saeros e esta teve medo, teve medo da vastidão e da quantidade de olhos que a observavam (tal seria a grandeza do salão). Beren, uma geração antes, foi trazido a este mesmo salão por Luthien e aí confrontou Elwë e Melian nos seus tronos. Nestas duas ocasiões o salão estava cheio com senhores e guerreiros poderosos. O rei dos Sindar, no auge do seu poder, deve ter parecido mais poderoso do que qualquer rei dos Noldor na Terra Média.. Mas um dia chegou a hora da destruição da poderosa Menegroth. Thingol tinha pedido aos anões que realizassem mais um serviço para ele – que juntassem o Nauglamír e o Silmaril numa só peça de joalharia. Eles assim o fizeram mas depois não queriam dar a Thingol o produto do seu trabalho pois diziam que o rei élfico não tinha direito nenhum sobre o colar que os anões tinham feito para Finrod (que já estava morto) e mais do que tudo, desejavam o Silmaril mas isso eles não disseram (nem foi preciso pois Elwë percebeu muito bem). Os anões acabaram por o matar nas câmaras que Thingol tinha mandado construir para os anões. Os anões forçaram a saída da cidade mas apenas dois regressaram a Nogrod. Em consequência destes acontecimentos uma hoste de anões marchou para Doriath e Menegroth foi saqueada, devastada e muitos dos seus habitantes foram mortos. Dior, neto de Elu Thingol, tentou restaurar na medida do possível as Mil cavernas mas os Sindar sob o poder de Dior eram menos e mais fracos do que aqueles que thingol tinha tido ao seu dispor. Melian tinha ido para Valinor e o seu poder deixou de proteger e enriquecer o reino. Muitos dos grandes senhores e capitães tinham sido mortos, incluindo Beleg Cuthalion e Mablung. Foi então possível aos filhos de Fëanor reunirem um exército e tomarem Doriath que viu assim o seu último Inverno, o último inverno da sua longa existência. Os Sindar que sobreviveram à batalha foram para Sul e levaram com eles algumas memórias daquela que foi a mais grandiosa das cidades. Há mesmo quem diga que nunca houve uma cidade como Menegroth, nem na Terra Média, nem em Aman.

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