O Conto de Eärendel

Escrito por Aegnor. Publicado em History of Middle-Earth

Este poema encontra-se no Book of Lost Tales – Volume II – The Tale of Eärendel. Agradeço à Gwen e à Mellon-fa pela ajuda na revisão do poema.

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I

Éalá Éarendel Engla Beorhtast
A Última Viagem de Eärendel

Éarendel elevou-se onde a sombra corre
Na beira do silencioso Oceano;
Através da boca da noite como um raio de luz,
Onde as costas são altas e sombrias,
Ele lançou o seu navio como um brilho de prata
Da última e solitária areia;
Então, com a fogosa morte do dia
Ele viajou do Ocidente.

Ele caminhou na cauda
Do esplendor do Sol,
E passou por muitas estrelas
No seu brilhante galeão.
Na crescente maré de escuridão navegavam
As naus do céu,
E iluminavam a noite com as suas velas de luz
Enquanto a viajante estrela passava.

Sem se preocupar ele passa por estes navios cintilantes,
Impelido pelo seu espírito errante
Numa infindável viagem pelo escurecido Oeste
Sobre as margens do mundo;
E ele viaja com pressa sobre a desolação preciosa
E o crepúsculo de onde outrora veio
Com o seu coração em fogo com puro desejo
E a sua face em chamas prateadas.

O Navio da Lua do Leste chega cedo
Vindo do Porto do Sol,
Cujas brancas portas brilham com a chegada
Do grande prateado.
Olhai! Com grandes nuvens como velas de navios
Ele ancora no escuro,
E com cintilantes remos deixa as ardentes costas
No seu navio de argênteas madeiras.

Então, Éarendel fugiu desse temível Marinheiro
Para lá da escura barreira da terra,
Para debaixo da orla do sombrio Oceano,
E atrás do mundo navegou;
E ouviu a alegria do povo da terra
E a queda das suas lágrimas,
Quando o mundo caía de novo numa sombria destruição
Na sua viagem ao longo dos anos.

Então, brilhando passou para a vastidão sem estrelas
Como um farol no mar,
E para além da vista dos homens mortais
Fez a sua solitária vagueação,
Seguindo o Sol no seu galeão
Através dos caminhos do firmamento,
Até a sua luz envelhecer nos frios abismos
E a sua ansiosa chama se gastar.


II

O Pedido ao Menestrel

“Canta-nos mais de Eärendel o errante,
Canta-nos uma balada do seu navio de brancos remos,
Mais maravilhoso que o engenho dos homens mortais,
Espumando musicalmente nos mares.
Canta-nos uma história do imortal anseio pelo mar
Que os Eldar outrora fizeram antes da mudança da luz,
Tecendo um feitiço como vinho, e uma ardente
Maravilha de espuma e odores da noite;
De murmurantes brilhos em longínquos oceanos;
Do seu aportar em ilhas esquecidas
Até às incansáveis ondas que nunca param;
De velas enfunadas quando um vento soprava,
E o borbulhante gorgolejar das águas tropicais
Agitadas debaixo da proa,
E a milhares de milhas estava o seu navio daqueles que lhe enviaram
Um petrel, um pássaro do mar, uma gema de asas brancas,
Galantemente dobrada numa longínqua viagem
Antes de chegar num voo pelo mar,
Tortuoso, demorado, turbulento,
Chegando a um porto não procurado, à noite.”

“Mas a música está quebrada, as palavras meio esquecidas,
O sol desvaneceu-se, a lua envelheceu,
Os navios élficos estão afundados ou encalhados e podres,
O fogo e a maravilha dos corações esfriou.
Quem pode agora dizer, e que harpa pode acompanhar
Estranhas melodias, ricos tons,
Baixos como a magia da harmonia cavernosa,
Altos como a música costeira das praias e dunas,
Quão esbelto o seu barco; de que cintilante madeira;
Como as suas velas eram prateadas e delgado o seu mastro,
E prateada a sua garganta com espuma e ágeis
Flancos enquanto flutuando como um cisne passava!
A canção que posso cantar são só pedaços que alguém lembra
De dourados sonhos sonhados no sono,
Uma sussurrada história contada pelas enfraquecidas brasas
De velhas coisas distantes que só poucos corações guardam.”


III

As Costas da FaëryIelfalandes strand – As Costas da Terra Élfica

A leste da Lua, a oeste do Sol
Aí fica uma solitária colina;
Os seus pés estão no pálido verde-mar,
As suas torres são brancas e silenciosas,
Para lá da Taniquetil
Em Valinor.
Aí só chega uma estrela
Que foge diante da lua;
E aí estão as Duas Árvores nuas
Que carregaram a flor prateada da Noite,
Que carregaram o dourado fruto do Dia
Em Valinor.
Aí são as costas da Faëry
Com as suas praias de seixos iluminados pelo luar,
Cuja espuma é música prateada
No chão opalescente,
Para lá das sombras do grande mar,
Nas margens da areia
Que se estende infinitamente
Até à porta encabeçada por dragões,
A porta da Lua,
Para lá da Taniquetil
Em Valinor.
A oeste do Sol, a leste da Lua
Fica o porto de uma estrela,
A branca cidade do Errante
E as rochas de Eglamar.
Aí Wingelot está ancorado,
Enquanto Eärendel olha para longe
Sobre as escuras águas
Entre aqui e Eglamar –
Longe, longe, para lá da Taniquetil
Longe em Valinor.


Este poema foi traduzido por Aegnor