A Balada de Leithian

Escrito por Aegnor. Publicado em History of Middle-Earth

IV

Ele deitou-se sobre o chão de folhas,
a sua face sobre o frio seio da terra,
desfalecido em esmagadora felicidade,
encantado com um beijo élfico,
vendo dentro dos seus escuros olhos
a luz que por nenhumas trevas morre,
o amor que não desaparecerá,
apesar de tudo em frias cinzas se tornar.
Então envolto nas névoas do sono
ele afundou-se em abismos profundos,
afogado num enorme desgosto
por partir após tão breve encontro;
uma sombra e uma bela fragrância
persistiam, desvaneciam e desapareciam.
Esquecido, estéril, nu como pedra,
o dia encontrou-o frio, sozinho.

"Para onde fostes tu? O dia está vazio,
a luz do Sol escura, e fria no ar!
Tinúviel, para onde foram os teus pés?
Ó estrela errante! Ó doce donzela!
Ó flor da Terra Élfica demasiado bela
para o coração mortal! Os bosques estão vazios!
Os bosques estão vazios!" ele levantou-se e gritou.
"Antes da Primavera nascer, a Primavera morreu!"
E vagueando por caminhos e mente
ele tacteou como alguém que fica subitamente cego,
que tenta agarrar a luz escondida
com mãos vacilantes em mais que a noite.

E assim em angustia Beren pagou
por esse grande destino sobre ele posto,
o imortal amor de Lúthien,
demasiado bela para o amor de Homens mortais;
e para o seu destino foi Lúthien atraída,
a imortal a sua mortalidade partilhou;
e o Destino para eles forjou uma corrente unida
por amor vivo e dor mortal.

Para lá de toda a esperança os seus pés regressaram
ao entardecer, quando no céu brilhava
a chama das estrelas; e nos seus olhos
ali tremia a luz estrelada dos céus,
e do seu cabelo caía uma fragrância
de flores élficas num vale élfico.

Assim Lúthien, a quem nenhuma perseguição,
nem armadilha, nem dardos que caçadores lancem,
podem esperar ganhar ou apanhar, ela chegou
ao doce chamamento do seu nome;
e assim na dele a sua esbelta mão
foi ligada na longínqua Beleriand;
numa hora encantada à muito tempo
os seus braços à volta do pescoço dele se envolveram,
e gentilmente ela se baixou para descansar
a cabeça cansada dele sobre o seu peito.
A! Lúthien, Tinúviel,
porque fostes tu ao escuro vale
com olhos brilhantes e passo dançante,
com o entardecer brilhando na tua face?
Cada dia antes do fim da tarde
ela procurava o amor dele, não o deixando,
até que as estrelas se apagassem, e o dia
viesse cintilando do Este cinzento prateado.
Então tremendo ela apareceria
e dançava diante dele, com um pouco de receio;
ali correndo mesmo diante dos pés dele
ela gentilmente dizia com um doce riso:
"Vem! dança agora, Beren, dança comigo!
Pois satisfeita a tua dança quero ver.
Vem! deves cortejar com pés mais ágeis
do que esses que caminharam onde as montanhas encontram
os amargos céus para lá deste reino
de maravilhoso luar em faias e olmos."

Em Doriath Beren à muito tempo
nova arte e saber aprendeu a conhecer;
os seus membros foram libertados; os seus olhos iluminados,
acessos com uma nova visão encantada;
e para os dançantes pés dela os seus
em harmonia foram dançando livres e rápidos;
o seu sorriso jorrou como que de uma fonte
de música, e a sua voz cantou
como as vozes daqueles em Doriath
onde pavimentados com flores são chão e estrada.
O ano assim para o Verão rolou,
da Primavera a um Verão de ouro.

Assim dançando rapidamente as suas curtas horas voaram,
enquanto Daeron vigiava com olhos fogosos,
escondido no escuro das árvores emaranhadas
todo o dia, até que à noite ele vê
no instável luar os seus pés dançantes,
dois namorados ligados em doce dança,
duas sombras cintilando no verde
onde dançando sozinha a donzela tinha estado.
"Odiosa és tu, Ó Terra das Árvores!
Possa o medo e o silencio apanhar-te!
A minha flauta cairá da mão ociosa
e a alegria deixará Beleriand;
a música perecerá e as vozes falharão
e as árvores mudas ficarão em vales e montes!"

Parecia que um silêncio tinha caído ali
sobre o parado ar da floresta;
e muitas vezes murmurou o povo de Thingol
em dúvida, e ao seu rei eles falaram:
"Este feitiço de silêncio quem o teceu?
Que teia terá apanhado a música de Daeron?
Parece que os próprios pássaros cantam baixo;
murmurante o Esgalduin agora corre;
as folhas escassamente suspiram nas árvores,
e sem som batem as asas das abelhas!"

Isto Lúthien ouviu, e ali a rainha
os seus súbitos olhares viu sem ser vista.
Mas Thingol espantou-se, e procurou
por Daeron o flautista, assim foi
e sentou-se sobre o seu grande assento -
o seu verde trono aos pés cinzentos
da Rainha das Faias, Hirilorn,
sobre aqueles triplos troncos nasceu
a maior abóbada de folhas e ramos
do princípio do mundo até agora.
Ela ficava acima da costa do Esgalduin,
onde longas encostas caíam ao lado da porta,
os portões guardados, os fortes portais
das Mil ecoantes Cavernas escuras.
Ali Thingol sentou-se e não ouviu nenhum som
salvo muito longe passos no chão;
nem flauta, nem voz, nem canções de pássaros,
nem coros de ventosas folhas ali agitadas;
e Daeron chegando nenhuma palavra falou,
silencioso por entre o povo da floresta.
Então Thingol disse: "Ó sábio Daeron,
que com ouvidos incansáveis o olhos atentos,
tudo o que se passa nesta terra
ouves e compreendes,
que presságio pode este silêncio carregar?
Que trompa muito longe sobre o ar,
que chamamento os escuros bosques aguardam?
Poderá ser que o Senhor Tauros da sua porta
e salões sustentados por árvores, o deus da floresta,
cavalgue o seu grande garanhão ferrado a ouro
por entre as sonoras tempestades de trompas,
por entre os seus orgulhosos caçadores de verdes trajes,
deixando as suas amadas e divinas planícies
e florestas de esmeraldas? Algum fraco sinal
da sua grande investida pode ter chegado
sobre os ventos Ocidentais, e mudos
os bosques agora esperam por uma caçada
que aqui uma vez mais a grandiosa raça fará
debaixo das árvores de Ennorath.
Assim fosse! Uma era já
passou desde que Nahar cavalgou nesta terra
nos dias da nossa paz e antiga alegria,
antes dos rebeldes senhores de Eldamar
perseguindo Morgoth de longe
trazerem guerra e ruína ao Norte.
Virá Tauros em sua ajuda?
Mas se não ele, quem vêm ou o quê?"
E Daeron disse: "Ele não vêm!
Nenhuns pés divinos deixarão aquela costa
onde as últimas ondas dos Mares Sombrios rugem,
até que muitas coisas se passem,
e muitos males sejam feitos. Aí de mim!
o convidado está aqui. Os bosques estão quietos,
mas não esperam; pois uma arrepiante maravilha
eles possuem e estranhas acções eles vêem,
apesar do rei não - no entanto a rainha, talvez,
possa adivinhar, e a donzela sem duvida saber
quem anda agora ao seu lado."

"Talvez as tuas adivinhas sejam claras"
o rei irado disse, "mas digna-te
a faze-las mais claras! Quem é aquele
que merece a minha ira? Como anda ele livre
dentro dos meus bosques por entre o meu povo,
um estranho à faia e ao carvalho?"
Mas Daeron olhou para Lúthien
e vacilou, vendo a sua desgraça
nesses olhos claros. Ele não mais falou,
e silenciosamente a ira de Thingol suportou.
Então Lúthien avançou ligeiramente em frente:
"Longe nas cercadas montanhas do Norte,
meu pai," disse ela, "fica a terra
que geme debaixo da mão do Rei Morgoth.
Daí veio um para cá, dobrado e cansado
de guerras e trabalhos, que tinha jurado
ódio imortal a esse rei;
o ultimo dos filhos de Bëor, eles cantam,
e mesmo para cá longe e fundo
dentro dos teus bosques os ecos rastejam
através das selvagens e frias passagens das montanhas,
o último da casa de Bëor a possuir
uma espada inconquistada, pescoço não curvado,
um coração pelo poder maléfico não tomado.
Nenhum mal precisas tu de pensar ou temer
de Beren filho de Barahir!
Se tendes algo a dizer a ele,
então jura não magoar carne ou membro,
e eu guiá-lo-ei aos teus salões,
um filho de reis, não um escravo mortal."
Então longamente o Rei Thingol olhou-a
enquanto nem mão nem pé nem língua se mexiam,
e Melian, silenciosa, e sem mostrar surpresa,
Lúthien e Thingol olhava.
"Nem lâmina nem corrente os seus membros sentirão"
o rei então jurou. "Ele vagueou por longe,
e notícias, pode ser, que ele tenha para mim,
e palavras eu tenho para ele, talvez!"
Agora Thingol mandou-os a todos partir
excepto Daeron, a quem ele chamou: "Que arte,
que feitiçaria das névoas do Norte
pode este indesejado ter trazido até nós? Ouve!
Esta noite vai por caminhos secretos,
pois conheces toda a grande Doriath,
e vigia aquela Lúthien - filha minha,
que loucura o teu coração entrançou,
que teia dos terríveis salões de Morgoth
apanhou os teus pés e te enfeitiçou! -
que ela não ajude este Beren a fugir
para onde ele veio. Eu quero vê-lo!
Leva contigo sábios archeiros da floresta.
Não deixem ninguém iludir os vossos corações ou olhos!"

Isto Daeron de coração pesado fez,
e os bosques foram cheios com vigias escondidos;
no entanto sem necessidade, pois Lúthien nessa noite
conduziu Beren pela luz dourada
da alta Lua até à margem
e ponte diante das portas do seu pai;
e branca luz silenciosa olhava de dentro
dos quietos portais em abismos indistintos.

Para baixo com mão gentil ela o levou
através de corredores de temor escavados
cujas curvas estavam iluminadas por lanternas penduradas
ou por chamas de tochas que ardiam
em dragões talhados na fria pedra
com jóias nos olhos e dentes de osso.
Então de súbito, fundo debaixo da terra
os silêncios com risos de prata
foram agitados e as rochas ecoavam,
os pássaros de Melian estavam cantando;
e imensamente os caminhos de sombra aumentaram
assim que em salões de colunas ela levou
Beren maravilhado. Ali uma luz
como o dia imortal e como a noite
de estrelas sem nuvens, brilhava e cintilava.
Uma abóbada de altíssimas árvores parecia,
cujos troncos de pedra esculpida ali estavam
como torres de uma encantada madeira
numa magia rápida para sempre presas,
suportando um tecto cujos ramos se entrançavam
em infindáveis traços de verde
acessos por alguma folha que aprisionava o brilho
da Lua e do Sol, e forjadas com gemas,
e cada folha pendurava-se em ramos dourados.

Olhai! ali entre as flores imortais
os rouxinóis em brilhantes ninhos
cantavam sobre a cabeça de Melian,
enquanto a água eternamente pingava e corria
de fontes no chão rochoso.
Ali Thingol sentava-se. A sua coroa usava
de verde e prata, e à volta do seu trono
uma hoste com belas armaduras brilhava.
Então Beren olhou para o rei
e ficou maravilhado; e rapidamente um anel
de armas élficas o rodeou.
Então Beren olhou para o chão,
pois o olhar de Melian tinha procurado a sua face,
e atordoado ali o deixou naquele lugar,
e quando o rei falou profundamente e devagar:
"Quem és tu viajante cansado? Que saibas
que ninguém sem ser convidado procura este trono
e jamais deixa estes salões de pedra!"
nenhuma palavra ele respondeu, cheio de temor.
Mas Lúthien respondeu no seu lugar:
"Veja, meu pai, aquele que chegou
perseguido pelo ódio como uma chama!
Olhai! Beren filho de Barahir!
Que necessidade têm ele da tua ira temer,
inimigo dos nossos inimigos, sem um amigo,
cujos joelhos a Morgoth não se dobram?"

"Deixa Beren responder!" disse Thingol.
"Que pretendes daqui? Que caminhos seguiram
os teus pés vagabundos, ó selvagem mortal?
Como é que enganastes Lúthien
ou te atreveste a caminhar nesta floresta
sem permissão, em segredo? Uma boa razão
deves declarar agora se puderes,
ou nunca mais verás a luz do dia!"
Então Beren olhou nos olhos de Lúthien
e viu a luz de céus estrelados,
e assim foi lentamente atraído o seu olhar
para o rosto de Melian. Como de um labirinto
de encantamento mudo ele acordou; o seu coração
as correntes do espanto ali rebentou em pedaços
e encheu-se com o destemido orgulho de antigamente;
"O meu destino, ó rei," ele disse,
"aqui para além das montanhas feridas me trouxe,
e o que eu procurava não encontrei,
e o amor é aquilo que aqui me prende.
O vosso tesouro mais querido eu desejo;
nem rochas nem aço nem o fogo de Morgoth
nem todo o poder da Elficidade
poderão guardar essa gema que eu quero.
Pois mais bela do que as nascidas dos Homens
uma filha tens tu, Lúthien."

O silêncio então caiu sobre o salão;
como pedras esculpidas ali se imobilizaram todos,
excepto uma que deitava olhares em volta,
e um que ria com amargo som.
Daeron o flautista encostava-se ali pálido
contra um pilar. Os seus dedos fracos
ali tocavam uma flauta que não murmurava;
os seus olhos estavam escuros; o seu coração queimando.
"Morte é a recompensa que merecias,
Ó vil mortal, que aprendestes
no reino de Morgoth a espiar e a rastejar
como os Orcs que cumprem os seus desígnios malvados!"
"Morte!" ecoou Daeron feroz e baixo,
mas Lúthien tremendo arquejou em desgosto.
"E morte," disse Thingol, "tu terias,
não tivesse eu feito um juramento com pressa
que nem lâmina nem corrente na tua carne tocariam.
Ainda assim cativo, preso não por barras,
desacorrentado, livre, tu ficarás
em infindáveis labirintos escuros
que se estendem profundamente sob os meus salões
por magia confusos e entrançados;
ai vagueando sem esperança
tu aprenderás o poder da Elficidade!"
"Isso não pode ser!" Olhai! Beren falou,
e as palavras do rei friamente parou.
"O que são os teus labirintos senão uma corrente
onde os cativos cegos são mortos?
Não deturpes os teus juramentos, ó rei élfico,
como o desleal Morgoth! Por este anel -
o sinal de um eterno laço
que Felagund de Nargothrond
uma vez jurou amizade a Barahir,
que o protegeu com escudo e lança
e o salvou do inimigo perseguidor
nos campos de batalha do Norte à muito tempo -
morte imerecida tu podes dar-me,
mas os nomes eu não aceito de ti
de vil, espião, ou escravo de Morgoth!
São estes os modos dos salões de Thingol?"
Orgulhosas foram as palavras, e todos se voltaram
para ver as jóias verdes que brilhavam
no anel de Beren. Que os Elfos tinham posto
como olhos de serpentes entrelaçadas que se encontram
debaixo de uma dourada coroa de flores.
que uma sustenta e uma devora:
o símbolo que Finarfin fez outrora
e Felagund seu filho agora usava.
A sua raiva arrefeceu, mas pouco mais,
e negros pensamentos possuíram Thingol,
apesar de Melian a pálida se encostar ao seu lado
e sussurrar: "Ó rei, esquece o teu orgulho!
Tal é o meu conselho. Não por ti
será Beren morto, pois longe e livre
destes fundos salões o seu destino o guiará,
ainda que ligado ao teu. Ó rei, toma cautela!"
Mas Thingol olhou para Lúthien.
"Mais bela dos Elfos! Infelizes Homens,
filhos de pequenos senhores e reis
mortais e frágeis, estas coisas passageiras,
poderão eles olhar-te com amor?
No seu coração pensou. "Eu vejo
o teu anel," ele disse, "Ó poderoso homem!
Mas para ganhar a filha de Melian
não bastam os feitos de um pai,
nem as tuas orgulhosas palavras às quais eu me curvo.
Um tesouro precioso eu também desejo,
mas rochas e aço e o fogo de Morgoth
de todos os poderes da Elficidade
guardam a jóia que eu quero.
Ainda assim obstáculos como estes eu ouvi-te dizer
que não temes. Agora segue o teu caminho!
Traz-me um brilhante Silmaril
da coroa de Morgoth, então se ela quiser,
poderá Lúthien por a sua mão na tua;
então terás tu esta jóia minha."

Então os guerreiros de Thingol alto e profundamente
riram; pois longamente famosas em canção
tinham sido as gemas de Fëanor sobre a Terra e Mar,
os incomparáveis Silmarils; e três
só ele fez e acendeu lentamente
na terra dos Valar à muito tempo,
e ali em Túna com a sua própria luz
eles brilharam como maravilhosas estrelas à noite,
nos grandes tesouros Élficos de Tirion,
enquanto Laurelin florescia e Telperion desabrochava
ainda iluminando a terra para lá da costa
onde rugem as ultimas ondas do Mar Sombrio,
antes de Morgoth as roubar e os Elfos
buscando a sua glória deixaram as suas casas,
antes da desgraça cair sobre Elfos e Homens,
antes de Beren nascer ou Lúthien,
antes dos filhos de Fëanor na sua loucura terem feito
o seu horrível juramento. Mas agora não mais
a sua beleza era vista, excepto brilhando claras
nas masmorras de Morgoth vastas e sombrias.
A sua coroa de ferro eles devem adornar,
e brilhar acima de Orcs e escravos esquecidos,
guardados no Inferno acima de todas as riquezas,
só para os seus olhos; e nem poderes nem espiões
lhes podiam tocar, ou mesmo olhar muito tempo
sobre a sua magia. Exércitos e exércitos
de Orcs com vermelhas cimitarras
rodeavam-no, e poderosas barras
e eternas portas e muralhas,
aquele que os usava agora entre os seus escravos.
Então Beren riu mais alto que eles
em amargura, e isto disse:
"Por pouco preço os reis élficos
as suas filhas vendem - por gemas e anéis
e coisas de ouro! Se tal é a vossa vontade,
o vosso pedido eu vou agora cumprir.
Em Beren filho de Barahir
vós não olhastes a ultima vez, eu temo.
Adeus, Tinúviel, dama das estrelas!
Antes do pálido Inverno passar carregado de neve,
eu vou regressar, não para te comprar
com qualquer jóia da Elficidade,
mas para encontrar a meu amor encantador,
uma flor que cresce debaixo do céu."
Curvando-se perante Melian e o rei
ele voltou-se, e empurrou para o lado o anel
de guardas sobre ele, e foi-se,
e as suas pegadas desapareceram uma por uma
nos escuros corredores. "Uma traiçoeira promessa
tu juraste, pai! Tu conseguiste
à lâmina e corrente a sua carne condenar
nas masmorras de Morgoth profundamente enterradas."
disse Lúthien, e as lágrimas
brotaram nos seus olhos, e horrendos medos
fecharam-se no seu coração. Todos viraram o olhar,
e mais tarde relembraram esse triste dia
desde o qual Lúthien nunca mais cantou.
Então claro no silêncio as frias palavras ressoaram
de Melian: "Um estratagema astucioso,
ó rei!" ela disse. "No entanto se os meus olhos
não perderam o seu poder, era bom para ti
que Beren falhasse a sua missão.
Bom para ti, mas para a tua filha
um destino negro e viagens selvagens."

"Eu não vendo a Homens aqueles que amo"
disse Thingol, "os quais acima de tudo
eu estimo; e se esperança houvesse
que Beren pudesse vivo voltar
para as Mil Cavernas uma vez mais, eu juro
que ele nunca mais veria o ar
ou a luz dos céus estrelados outra vez."
Mas Melian sorriu, e ali havia dor
assim como conhecimento longínquo nos seus olhos;
pois tal é a mágoa dos sábios.