A Balada de Leithian

Escrito por Aegnor. Publicado em History of Middle-Earth

Cantos Inacabados

Comentário de Christopher Tolkien:

A Balada de Leithian acaba aqui, tanto no texto A como no B, e também nas páginas dos esboços, mas uma folha isolada encontrada noutro lugar dá umas poucas linhas de continuação, juntamente com variantes, no primeiro estado de composição:

Contra a parede então Beren cambaleou
mas ainda com a esquerda ele tentava proteger
a bela Lúthien, que gritou alto
ao ver a sua dor, e para baixo ela se curvou
em angústia deitando-se ao chão.

Há também uma pequena passagem, encontrada numa folha separada no fim do texto B, com o titulo “uma parte do fim do poema”.

Onde o rio da floresta passava pelo bosque,
silenciosos todos os ramos ali estavam
das altas árvores, quietos, pendurados
com sombras de traças na sua casca
acima do verde e brilhante rio,
ali chegou através das folhas um súbito arrepio,
um ventoso sussurro através dos quietos
frios silêncios; e descendo a colina,
tão vago como a respiração de alguém a dormir,
um eco chegou tão frio como a morte:
"Longos são os caminhos, de sombras feitos
onde nenhuma pegada foi deixada,
sobre as colinas, para além dos mares!
Longe, muito longe são as Terras do Alivio,
mas a Terra dos Perdidos é ainda mais longe,
onde os Mortos aguardam, enquanto nós esquecemos.
Nenhuma lua lá existe, nenhuma voz, nenhum som
de corações a bater; só um suspiro profundo
uma vez em cada Era quando cada Era morre
é ouvido. Longe, muito longe está,
a Terra da Espera onde os Mortos se sentam,
na sombra dos seus pensamentos, por nenhuma lua iluminados.

Com as ultimas linhas compare a passagem no fim da história de Beren e Lúthien no Silmarillion (p. 199):

“Mas Lúthien foi para as mansões de Mandos, onde ficam os lugares destinados aos Eldalië, para lá das mansões do Ocidente, nos confins do mundo. Aí, os que esperam sentam-se à sombra do seu pensamento.”


Não há mais nada, e eu não acho que tivesse havido algo mais. Os últimos trabalhos do meu pai no poema foram dedicados à revisão de tudo o que já existia; e a Balada de Leithian acaba aqui.


Este poema foi traduzido por Aegnor