A Balada de Leithian

Escrito por Aegnor. Publicado em History of Middle-Earth

XIV

Subindo através da negra e ecoante escuridão
como fantasmas de um tumulo escavado,
subindo das profundas raízes da montanha
e da vasta ameaça subterrânea,
os seus membros tremiam com medo mortal,
terror nos olhos, e horror nos ouvidos,
juntos eles fugiam, com o batimento
assustado dos seus pés alados.

Por fim diante deles muito ao longe
eles viram um brilho, vago e cinzento
de luz fantasmagórica que tremendo caía
das escancaradas portas do Inferno.
Então a esperança acordou, e logo morreu –
as portas estavam abertas, o portão era largo;
mas na soleira o terror caminhava.
O horrível lobo acordado ali esperava
e nos seus olhos o fogo vermelho brilhava;
ali Carcharoth ameaçante se erguia,
uma morte anunciada, uma maldição incansável:
as suas mandíbulas estavam abertas como um tumulo,
os seus dentes nus, a sua língua em chamas;
de pé ele vigiava para que ninguém viesse,
nem esvoaçante sombra nem caçadora forma,
procurando escapar de Angband.
Por aquela guarda que astúcia ou poder
poderia esperar da morte para a luz passar?

Ele ouviu ao longe os pés apressados,
ele sentiu um odor estranho e doce;
ele cheirou a sua chegada muito antes
deles verem a expectante ameaça na porta.
Os seus membros ele estica e sacode-se para despertar,
então pára olhando. Com um súbito salto
sobre eles enquanto eles se apressavam ele avança,
e o seu uivo nos arcos ecoa.
Demasiado rápido para o pensamento o seu ataque chegou,
demasiado rápido para algum feitiço o domar;
e Beren em desespero então ultrapassou
Lúthien para barrar a estrada,
desarmado, sem defesa, para defender
a donzela élfica até ao fim.
Com a esquerda ele agarrou a peluda garganta,
com a direita nos olhos bateu –
a sua direita, da qual a radiância jorrava
do sagrado Silmaril que ele segurava.
Como o brilho de espadas em fogo ali brilharam
as presas de Carcharoth, e fecharam-se
como uma armadilha, que rasgou
a mão pelo pulso, e cortou
através do fraco osso e tendão,
devorando a frágil carne mortal;
e aquela cruel boca suja
engoliu o sagrado brilho da jóia.