A Balada de Leithian

Escrito por Aegnor. Publicado em History of Middle-Earth

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As canções têm contado, pelos harpistas tocadas
há muitos anos em língua élfica,
como Lúthien e Beren se demoraram
no vale do Sirion; e muitas clareiras
eles encheram com alegria, e ali os seus pés
passavam levemente, e os dias eram doces.
Apesar de o Inverno caçar através do bosque,
ainda as flores resistiam onde eles estavam.
Tinúviel! Tinúviel!
Ainda sem medo os pássaros agora vivem
e cantam em ramos por entre a neve
onde Lúthien e Beren andaram.

Da Ilha do Sirion eles se foram embora,
mas na colina sozinha ali ficou
uma sepultura verde, e uma pedra foi posta,
e ali ainda estão os brancos ossos
de Finrod o belo, filho de Finarfin,
a não ser que a terra mude e desapareça,
ou se afunde em mares profundos,
enquanto Finrod caminha debaixo das árvores
em Eldamar e não mais virá
para o cinzento mundo de lágrimas e guerra.

Para Nargothrond não mais ele veio
mas para ai rapidamente correu a fama
do seu rei morto e do seu grande feito,
como Lúthien a Ilha tinha libertado:
o Senhor dos Lobisomens estava derrotado,
e quebradas estavam as suas torres de pedra.
Pois chegavam agora a casa muitos
que à muito para as sombras tinham passado;
e como uma sombra tinha regressado
Huan o cão, apesar de pouco ele ter ganho
fosse elogio ou agradecimento de Celegorm.
Agora ali ergue-se uma crescente tempestade,
um clamor de muitas vozes altas,
e o povo que Curufin tinha acobardado
e que o próprio rei tinha negado,
com vergonha e raiva agora grita:
"Vamos! Matem esses pérfidos senhores desleais!
Porque se escondem eles aqui? O que vão eles fazer,
senão tornar a casa de Finarfin em nada,
traiçoeiros cucos indesejados?
Fora com eles!" Mas sabiamente e devagar
Orodreth falou: "Cuidado, não atraiam
vocês mais desgosto e malvadeza!
Finrod caiu. Eu sou rei.
Mas como ele falaria, eu agora
vos comando. Eu não vou permitir
que em Nargothrond a antiga maldição
com mais mal
trabalhe. Com lágrimas por Finrod choramos
arrependidos! Guardai as espadas para Morgoth!
Nenhum sangue de familiares aqui será derramado.
No entanto aqui nem descanso ou pão
os irmãos encontrarão, aqueles que desprezaram
a casa de Finarfin. Libertai-os,
para intocados ficarem diante de mim! Vão!
A cortesia de Finrod assim o exige!"

Com desprezo estava Celegorm, de pé,
com um olhar de fogo e raiva orgulhosa
e ameaçadora; mas ao seu lado
sorridente e silencioso, com olhar desconfiado,
estava Curufin, com a mão no cabo
da sua longa faca. E então ele riu,
e "Então?" disse ele. "Porque chamastes
por nós, Senhor Mordomo? Se no teu salão
não somos bem vindos. Vamos, fala,
se algo queres de nós!

Frias palavras Orodreth respondeu lentamente:
"Diante do rei vocês estão. Mas saibam
que de vós ele não quer nada. A sua vontade
vocês vieram ouvir, e cumprir.
Vão-se para sempre, antes do dia
cair no mar! O vosso caminho
nunca mais vos deverá trazer aqui,
nem a qualquer filho de Fëanor;
de amor não mais haverá laços
entre a vossa casa e Nargothrond!"

"Nós não esqueceremos," eles disseram
e viraram-se de costas, e apressando-se,
prepararam os seus cavalos, arrumaram o seu equipamento,
e partiram com cão, arco e lança,
sozinhos; pois ninguém do povo
os seguiria. Nenhuma palavra falaram,
mas soaram as trompas, e cavalgaram
como o vento no fim de um dia de tempestade.

Perto de Doriath os enamorados agora
se aproximavam. Apesar de nus estarem os ramos,
e o Inverno através das cinzentas ervas
assobiasse com frio, e de breve ser o dia,
eles cantavam debaixo do céu gelado
que acima deles se elevava claro e alto.
Eles chegaram ao Mindeb rápido e brilhante
que das altas montanhas do norte
até Neldoreth vinha saltando
com barulho entre as pedras castanhas,
mas em súbito silêncio caía,
ao passar debaixo do feitiço de guarda
que Melian pôs nas fronteiras
da terra de Thingol. Ai estavam eles agora;
pois um silêncio triste Beren sentiu.
À muito ignorado, por fim demasiado bem
ele ouvia o aviso do seu coração:
Ah! amada, aqui nos separamos.
"Ai de mim, Tinúviel," ele disse,
"esta estrada nós não mais podemos caminhar
juntos, não mais de mãos dadas
podemos viajar na terra Élfica."

"Porque nos despedimos aqui? O que dissestes tu,
mesmo à aurora de um dia brilhante?"

"Por segurança tu viestes para fronteiras
dentro das quais à guarda das mãos
de Melian tu voltarás a andar com alívio
e encontrarás a tua casa e bem amadas árvores."


"O meu coração alegra-se quando as belas árvores
lá muito ao longe altas e cinzentas vê
de Doriath inviolada.
No entanto Doriath o meu coração odeia,
e Doriath os meus pés esqueceram,
a minha casa, a minha família. Não quero olhar
para erva ou folhas ali nunca mais
sem ti ao meu lado. Escura é a costa
do Esgalduin o fundo e forte!
Por que é que ai sozinha esquecendo canções
ao lado de eternas águas a passar
devo eu então sem esperança sentar-me por fim,
e olhar águas impiedosas
com dor e em solidão?"

"Nunca mais para Doriath
pode Beren encontrar o tortuoso caminho,
apesar de Thingol o deixar ou permitir;
pois ao teu pai ali eu jurei
não voltar excepto para cumprir
a busca do brilhante Silmaril,
e ganhar pelo meu valor o meu desejo.
"Nem rochas nem aço nem o fogo de Morgoth
nem todo o poder da Elficidade,
poderão guardar a gema que eu quero."
assim jurei eu outrora por Lúthien
mais bela que qualquer criança dos Homens.
A minha palavra, ai de mim! eu tenho agora que cumprir,
e não ser o primeiro homem a chorar
por um juramento com orgulho e raiva feito.
Demasiado breve o encontro, breve a tristeza,
demasiado cedo chega a noite quando temos que partir!
Todos os juramentos trazem dor ao coração,
com vergonha quebrados, com angústia mantidos.
Ah! quisera que agora eu dormisse
com Barahir debaixo das pedras,
e tu estivesses dançando ainda sozinha,
solteira, imortal, sem tristeza,
cantando na alegria da Elficidade."

"Isso não pode ser. Pois há laços
mais fortes que pedra ou barras de ferro,
mais fortes do que o juramento orgulhosamente feito.
Não te prometi eu a minha fidelidade?
Não terá o amor então orgulho ou honra?
Ou consideras tu então Lúthien
tão frágil de intenção, leve de amor?
Pelas estrelas de Elbereth no céu!
Se tu vais aqui a minha mão esquecer
e deixar-me sozinha caminhos tomar,
então Lúthien não irá para casa,
mas chorando nos bosques vagueará,
nem os perigos ouvirá, nem o riso conhecerá.
E se ela não puder ao teu lado ir
contra a tua vontade os teus desesperados pés
ela perseguirá, até que eles se encontrem,
para além de toda a esperança com amor uma vez mais
na terra ou na costa sombria."

"Não, Lúthien, mais brava de coração,
tu tornas mais difícil a partida.
O teu amor salvou-me do escuro cativeiro,
mas nunca para esse medo longínquo,
para essa mais escura mansão de todo o terror,
poderá a tua bem-aventurada luz ser conduzida."

"Nunca, nunca!" ele disse.
Mas mesmo enquanto nos seus braços ela implorava,
um som chegou como uma trovoada.

Ali Curufin e Celegorm
em súbito tumulto como o vento
cavalgavam. Os cascos dos cavalos faziam
grande barulho na terra. Com raiva e velocidade
assim enlouquecidos para leste eles agora corriam,
para encontrar o velho e perigoso caminho
entre a horrorosa Gorgoroth
e o reino de Thingol. Essa era a estrada
mais rápida para onde a sua família habitava
lá longe, onde a vigilante colina de Himring
sobre o desfiladeiro de Aglon está alta e silenciosa.

Eles viram os enamorados. Com um grito
direitos a eles viraram os seus cavalos
como se para debaixo dos enlouquecidos cascos esmagar
os amantes e o seu amor acabar.
Mas enquanto se aproximavam os cavalos desviaram-se
com narinas abertas e orgulhosos pescoços curvados;
Curufin, inclinando-se, para a sela
com poderoso braço Lúthien atirou,
e riu. Demasiado cedo; pois um salto
mais feroz que o amarelado leão
enraivecido com setas astutas,
maior do que qualquer javali
que ferido um desfiladeiro salta,
ali deu Beren, e com um rugido
saltou sobre Curufin; à volta do seu pescoço
os seus braços enredou, e ao chão
cavalo e cavaleiro deitou;
e ali eles lutaram sem um som.
Atordoada na erva Lúthien ficou
debaixo dos ramos nus e do céu;
o Noldo sentiu os sombrios dedos de Beren
apertarem a sua garganta e estrangula-lo,
e para fora os seus olhos começaram a sair, e a língua
a tossir da sua boca pendia.
Celegorm cavalgou com a sua lança,
e de amarga morte esteve Beren perto.
Com aço élfico ele quase foi morto
aquele que Lúthien ganhou do desesperado cativeiro,
mas ladrando Huan subitamente saltou
diante do seu mestre com presas
brancas a brilhar, e com pelo eriçado,
como se para um javali ou lobo olhasse.
O cavalo com terror saltou para o lado,
e Celegorm com raiva gritou:
"Amaldiçoado sejas, cão maldito, por te atreveres
contra o teu mestre dentes mostrar!"
Mas nem cão nem cavalo nem cavaleiro ousado
se aventurariam perto da raiva fria
do grande Huan feroz a guardar.
Vermelhas eram as suas mandíbulas. Eles encolheram-se,
e temerosos olharam-no de longe:
nem espada nem faca, nem cimitarra,
nem seta de arco, nem lançamento de lança,
nem mestre nem homem Huan temia.

Ali teria Curufin deixado a sua vida,
não tivesse Lúthien impedido aquele golpe.
Acordando levantou-se e docemente gritou
aflita ao lado de Beren:
"Acalma a tua raiva agora, meu senhor!
nem faças o trabalho dos abomináveis Orcs;
pois há incontáveis inimigos
da Elficidade, e eles não diminuem,
enquanto aqui nós guerreamos pela antiga maldição
enlouquecidos, todo o mundo para pior
decai e se desfaz. Façam as pazes!"

Então Beren libertou Curufin;
mas tirou-lhe o cavalo e cota de malha,
e tirou-lhe a sua faca brilhante pálida,
pendurada sem bainha, forjada de aço.
Nunca poderiam os curandeiros sarar a carne
picada por essa ponta; pois à muito tempo
que os anões a tinham feito, cantando lentos
encantamentos, onde os seus martelos caíam
tocando como sinos em Nogrod.
Ferro como madeira macia cortava,
e dividia a malha como um tecido de lã.
Mas outras mãos o seu cabo agora seguravam;
o seu mestre jazia derrubado por um mortal.
Beren levantou-o, e longe o jogou,
e gritou "Vão-se!", com língua afiada;
"Vão-se! seus renegados e tolos,
e deixai a vossa luxúria arrefecer no exílio!
Levanta-te e vai, e não trabalhes mais
como os escravos de Morgoth ou maldito Orc;
e envolve-te, orgulhoso filho de Fëanor,
em actos mais dignos do que até aqui fizestes!"
Então Beren conduziu Lúthien embora,
enquanto Huan ainda ali estava de guarda.

"Adeus," gritou Celegorm o belo,
"Que vão para longe! E é melhor
morrer esfomeado no deserto
que provar a ira dos filhos de Fëanor,
que ainda pode chegar sobre vales e colinas.
Nenhuma gema, nem donzela, nem Silmaril
na tua mão muito tempo se manterá!
Nós amaldiçoamos-te debaixo de nuvem e céu,
nós amaldiçoamos-te do despertar ao deitar!
Adeus!" Ele rápido do cavalo saltou,
o seu irmão levantou do chão;
então do arco de teixo com fio de ouro
puxou, e uma seta disparada ele mandou,
enquanto sem prestar atenção de mão em mão eles andavam;
um dardo anão cruelmente mortal.
Eles nunca se viraram nem para trás olharam.
Alto ladrou Huan, e saltando apanhou
a veloz seta. Rápida como o pensamento
outra seguiu-a cantando mortalmente;
mas Beren tinha-se virado, e saltando de repente
defendeu Lúthien com o seu peito.
Fundo se afundou o dardo na carne.
Ele caiu por terra. Eles foram-se embora,
e rindo deixaram-no onde jazia;
no entanto correram como o vento com medo e temor
da perseguidora fúria vermelha de Huan.
Apesar de Curufin com boca ferida rir,
mais tarde dessa covarde seta
ouve historias e rumores no Norte,
e os Homens lembraram-se dela na Marcha em Frente,
e a vontade de Morgoth o seu ódio ajudou.

Dai em diante nunca cão nascido
iria seguir a trompa de Celegorm
ou Curufin. Apesar de em guerra e tempestade,
apesar de toda a casa deles em ruína vermelha
cair, dai em diante Huan não mais
deitou a sua cabeça aos pés desse senhor,
mas seguiu Lúthien, brava e rápida.
Agora deitou-se ela a chorar ao lado
de Beren, e procurou parar a vaga
de sangue que ali jorrava.
A vestimenta do peito dele ela tira;
do ombro arranca a seta afiada;
a ferida com lágrimas é lavada e limpa.
Então Huan chega e traz uma folha
da melhor de todas as ervas medicinais,
que sempre verde nas clareiras da floresta
cresce com larga e esbranquiçada folha.
Os poderes de todas as ervas Huan sabia,
pois havia percorrido todos os caminhos da floresta.
Com isso a dor ele rapidamente acalmou,
enquanto Lúthien murmurando na sombra
o canto de estancar, que as esposas Élficas
há muitos anos cantavam nessas tristes vidas
de guerra e armas, tecia sobre ele.

As sombras caíram das montanhas cinzentas.
Então avançou sobre o escuro Norte
a Foice dos Valar, e em frente
cada estrela ali brilhou na noite
radiante, cintilando frias e brancas.
Mas no chão há um brilho,
uma faísca de vermelho que salta lá em baixo:
debaixo de ramos ao lado de um fogo
de madeira crepitante e sarça ardente
ai Beren jaz em profunda letargia,
caminhando e vagueando no sono.
Vigilante dobrada sobre ele acorda
uma bela dama; a sua sede ela sacia,
a sua fronte ela acaricia, e suavemente canta
uma canção mais potente do que em runas
ou na arte dos curandeiros foi alguma vez escrita.
Lentamente as vigílias nocturnas passam.
A nebulosa manhã caminha cinzenta
do amanhecer ao relutante dia.

Então Beren acordou e abriu os olhos,
levantou-se e gritou: "Debaixo de outros céus,
em terras mais terríveis e desconhecidas,
eu vagueei longamente, eu acho, sozinho
para a profunda sombra onde os mortos habitam;
mas sempre uma voz que eu conhecia bem,
como sinos, como violas, como harpas, como pássaros,
como uma tocante musica sem palavras,
chamava-me, chamava-me através da noite,
encantado puxou-me de volta para a luz!
Curou a ferida, aliviou a dor!
Agora chegámos novamente à manhã,
novas viagens outra vez nos incitam -
para perigos onde a vida pode ser ganha,
arduamente por Beren; e para ti
uma espera nos bosques eu vejo,
debaixo das árvores de Doriath,
enquanto que para sempre seguirão o meu caminho
os ecos da tua canção élfica,
onde as colinas são selvagens e as estradas longas."

"Não, agora não mais temos só como inimigo
o escuro Morgoth, mas ao desgosto,
a guerras e contendas da Elficidade
a tua busca está ligada; e morte, sem duvida,
para ti e para mim, para o ousado Huan
o fim do antigo fado destinado,
tudo isto eu prevejo que rapidamente aconteça,
se tu continuares. A tua mão levantará
e pousará no colo de Thingol a terrível
e flamejante jóia, o fogo de Fëanor,
nunca, nunca! Porquê ir?
Por que não viramos costas ao medo e tristeza
para debaixo das árvores andar e vaguear
sem tecto, com todo o mundo como casa,
sobre montanhas, ao lado dos mares,
na luz do sol, na brisa?"

Assim longamente eles falaram com corações pesados;
e no entanto nem todas as artes élficas dela,
nem ágeis membros, nem olhos cintilantes
como as trémulas estrelas nos céus molhados,
nem lábios suaves, voz encantada,
o seu propósito mudaram ou a sua escolha alteraram.

Nunca para Doriath iria ele viajar
excepto para ali guardada a deixar;
nunca para Nargothrond iria
com ela, não chegasse ali guerra e tristeza;
e nunca iria no mundo desconhecido
faze-la sofrer vagueando, cansada, descalça,
sem tecto e sem paz, aquela que ele trouxe
com amor dos reinos escondidos que ela conhecia.
"Pois o poder de Morgoth está agora acordado;
já colinas e vales estremecem,
a caçada começou, a presa é selvagem:
uma donzela perdida, uma criança élfica.
Agora Orcs e fantasmas vagueiam e espreitam
de árvore em árvore, e enchem de medo
cada sombra e buraco. Por ti procuram!
Ao pensar nisso a minha esperança esmorece,
o meu coração arrepia-se. Eu amaldiçoo o meu juramento,
eu amaldiçoo o destino que nos juntou
e atraiu os teus pés para a minha triste sorte
de fuga e vagueações na escuridão!
Agora apressemo-nos, e antes do dia
cair, tomamos o mais rápido caminho,
até às marcas da tua terra
para debaixo da faia e carvalho ficarmos
em Doriath, bela Doriath
para onde nenhum mal encontra o caminho,
sem poder para passar as atentas folhas
que caem sobre o beiral da floresta."

Então à sua vontade ela aparentemente se dobrou.
Rapidamente para Doriath eles foram,
e atravessaram as suas fronteiras. Ai pararam
descansando numa profunda e musgosa clareira;
ai deitaram-se eles protegidos do vento
debaixo de altas faias de pele sedosa,
e cantaram do amor que ainda havia de vir,
mesmo que a terra se afundasse debaixo do mar,
e separados aqui, para sempre
se encontrariam na Costa Ocidental.

Uma manhã enquanto ela dormia
sobre o musgo, como se o dia
fosse demasiado amargo para uma flor gentil
se abrir numa hora sem sol,
Beren levantou-se e beijou o seu cabelo,
e chorou, e suavemente a deixou ali.
"Bom Huan," disse ele, "guarda-a bem!
Em campo deserto nenhum asfódelo,
em espinhosa mata nunca uma rosa
durou, tão frágil e fragrante nasce.
Guarda-a do vento e da geada, e esconde-te
de mãos que agarram e empurram;
guarda-a de vagueações e desgostos,
pois o orgulho e o destino obrigam-me a ir."

O cavalo levou e cavalgou para longe,
nem se atreveu a virar; mas todo esse dia
com o coração como pedra avançou velozmente
e tomou os caminhos em direcção ao Norte.