Beleriand

Escrito por Swanhild, Mithrandir e Gwen. Publicado em Geografia

Datas: criada no momento da formação do mundo, destruída na Guerra da Ira, em 583 da 1ª Era do Sol
Localização: a leste de Arda, oeste das Montanhas Azuis
Habitantes: todas as raças de Arda já habitaram Beleriand, porém ela foi submersa e não tem mais população alguma
Outros nomes: Pais de Balar

 

Beleriand estava entre as terras mais belas e mais antigas de toda Arda. Ela não estava localizada nas Terras Imortais de Aman, mas sim a leste do mar, pois Beleriand era uma parte da Terra-média mortal. Ela estava situada ao norte deste grande continente e a leste das Montanhas Azuis. Em Beleriand os elfos Sindar (que nunca foram para Aman) construíram os grandes Reinos Élficos das terras mortais, os mais poderosos e orgulhosos dos Dias Antigos. Thingol fundou Menegroth; das Mil Cavernas. Finrod Felagund reinou em Nargothrond; a grande fortaleza subterrânea a beira do rio Narog. O Rei Turgon, o sábio, construiu Gondolin, o mais bela e mais poderoso de todos os bastiões élficos de antigamente. A maior parte da história conhecida de Beleriand se passa durante a 1ª Era do Sol, e nesta Era, por um período de 583 anos mortais, os Reinos Élficos e Edain exibiram um poder e grandiosidade tais como nunca mais serão vistos novamente .
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Mapa de Beleriand na 1ª Era do Sol

 

No mapa acima temos a topografia completa de Beleriand, o único local que não aparece é o Reino do Inimigo, Dor Daedeloth: a terra da Sombra e do Horror controlada por Morgoth, o inimigo negro. Beleriand foi povoada originalmente apenas por elfos Sindar, mas na 1ª Era do Sol chegaram os Noldor, que estavam perseguindo Morgoth para recuperar as Silmarils roubadas e vingar a morte do Rei Finwë. Pouco depois da chegada dos Noldor, para grande espanto dos Eldar, chegaram a Beleriand os primeiros Edain, os homens mortais cuja vinda havia muito estava sendo esperada pelos mestres da tradição.
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Em azul, Beleriand submersa. Em amarelo, a Terra-média

 

Mas Beleriand não existe mais, toda a sua beleza, todas as suas fortalezas e reinos, todas as suas florestas e rios... tudo foi perdido. Houve um momento em que Morgoth estava vencendo as guerras contra os Elfos e Edain, e a luta passou de desesperadora para simplesmente perdida, era apenas uma questão de tempo até todos os povos livres serem reduzidos a ruína e o Inimigo controlar todas as terras a leste do mar. Quando isso aconteceu, Eärendil, o marinheiro, atravessou o grande mar ocidental e pediu pela ajuda dos Valar neste momento de grande aflição, e ela foi concedida. Com isso se iniciou a Guerra da Ira, um conflito titânico que durou 42 anos e foi tão devastador que as Montanhas de Ferro e as Montanhas Azuis se partiram, permitindo ao oceano invadir Beleriand, que afundou desaparecendo para sempre.
Durante os acontecimentos narrados no trilogia do Senhor dos Anéis, a única parte de Beleriand que ainda existia, tendo sobrevivido aos cataclismos da Guerra da Ira, eram as Ered Luin, a pequena cadeia de montanhas que ficava no extremo oeste deste continente. Originalmente, estas montanhas estavam localizadas próximas a Ossiriand e as Mansões dos Anões, mas ambas também foram destruídas e submersas. Hoje, tudo o que resta de Beleriand, são as Ered Luin.
Historicamente falando, a 1ª Era do Sol, em Beleriand, se iniciou quando o Sol e a Lua foram criados pelos Valar e se erguerem em glória. Foi Aulë, o ferreiro dos Valar, quem forjou dois grandes recipientes, e quase 30 anos mortais após a criação de Arda, esses grandes recipientes foram levados ao céu. Depois eles foram nomeados como sendo a Lua e o Sol, e desde então o mundo tem a noite seguida do dia sem que Melkor possa impedir isso.

 

Assim como o Reascender das Estrelas marcou o Despertar dos Elfos, a Ascensão do Sol marcou o Despertar dos Edain, que foram os primeiros homens mortais a serem vistos pelos elfos. Quando a primeira luz do amanhecer entrou nos olhos dos Homens, eles despertaram para uma nova era. Pois assim como Ilúvatar havia concebido a raça imortal dos Elfos no início dos Tempos e escondeu-os longe no Lago de Cuiviénen, então ele também concebeu a raça mortal dos Homens e escondeu-os muito a leste da Terra-média em um lugar chamado Hildórien, ou "terra do segundo povo", além das Montanhas do Vento. Em Beleriand os Eldar e Edain iniciaram uma aliança contra Morgoth que iria durar mais de 500 anos, e assim, durante seis gerações, os mortais combateram lado a lado com os imortais contra um inimigo comum.

 

A ilha de Balar: O último refúgio de Círdan
A Baía de Balar ficava na parte sul de Beleriand. De acordo com relatos, ela havia sido criada durante os tumultos das batalhas entre os Valar e Melkor na época do despertar dos Elfos. Seus locais mais característicos eram a Ilha de Balar no centro da Baía, e a foz do rio Sirion, no litoral norte da Baía. A Ilha de Balar havia sido criada durante o transporte dos Vanyar e Noldor para Aman. Para esse transporte, Ulmo havia deslocado uma ilha do meio do Grande Oceano para a Baía de Balar, onde os Elfos deveriam embarcar. Mas ao ser arrastada, a parte leste da ilha acabou soltando-se e sendo deixada para trás. Essa porção da ilha veio a formar a Ilha de Balar, enquanto que o restante da ilha terminou por ser ancorada na Baía de Eldamar em Aman, formando Tol Eressëa.

 

A Ilha permaneceu largamente desabitada até a época da Nirnaeth Arnoediad. Em 473 os Portos do Falas foram atacados e destruídos por Morgoth, e os elfos sobreviventes fugiram para Balar e lá estabeleceram um refúgio. A foz do Sirion foi ocupada posteriormente a Balar, embora os elfos da Ilha sempre tenham mantido um posto avançado naquela região, onde eles escondiam navios leves e rápidos entre a vegetação alta.

 

Turgon, após a Dagor Bragollach (455), havia passado a mandar elfos de Gondolin para a foz do Sirion para construírem ali navios capazes de chegar a Valinor, a fim de pedir o socorro dos Valar. Depois da Nirnaeth Arnoediad (472), esse trabalho passou a ser feito em conjunto com Círdan, o Armador, que fugira com seu povo para Balar. O refúgio da foz do Sirion veio a ser destruído pelos filhos de Fëanor, pois os elfos dali se recusaram a entregar a estes a Silmaril de Beren, que eles haviam trazido de Doriath. Os elfos que escaparam juntaram-se ao povo de Círdan na Ilha, onde Gil-galad, o último dos príncipes Noldor, tornou-se o Alto-rei dos Noldor.
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Mithrim: As Terras Cinzentas
Mithrim consistia em um vale localizado na parte leste de Hithlum, limitado pelas cadeias montanhosas Ered Wethrin a leste e sudeste, e pelas colinas Mithrim a oeste e sudoeste; a fronteira norte era aberta. Ao norte deste vale ficava o grande lago chamado Mithrim pelos elfos Sindar. Os primeiros habitantes da região que se estabaleceram de forma permanente foram elfos Sindar (daí o nome do vale), que viveram em paz ali até a época do retorno de Morgoth para Angband, quando então a maioria deles retirou-se para Doriath. Os Noldor recém-chegados em Beleriand estabeleceram-se em torno do lago Mithrim, ficando a casa de Fëanor ao sul do lago e as casas de Fingolfin e Finarfin ao norte do mesmo; posteriormente, com a partida das demais casas noldorin para outras terras, Mithrim ficou sob a guarda de Fingolfin como parte do reino estabelecido por ele nas terras de Hithlum.

 

O reino de Fingolfin foi invadido e destruído após a Nirnaeth Arnoediad, e o domínio sobre aquela terra passou para os Orientais, tribos humanas aliadas a Morgoth, a quem ele concedeu toda a terra de Hithlum em paga pelo seu apoio na Batalha (472). Os poucos grupos de elfos que escaparam da morte e do cativeiro retiraram-se para as colinas Mithrim, onde formaram bandos esparsos de refugiados e foras-da-lei.
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Dor-lómin: A Terra do Crepúsculo
Dor-Lómin consistia em um vale cercado de montanhas exceto na fronteira norte, onde havia um grande passo aberto. Habitado por elfos Sindar desde antes do retorno de Morgoth para a Terra-Média, Dor-Lómin passou para o domínio dos Noldor da casa de Fingon, filho de Fingolfin. Os noldor se dirigiram para aquela região vindos do lago Mithrim, sua primeira moradia em Beleriand. Os primeiros Edain da casa de Hador foram admitidos em Dor-lómin por Fingolfin, e após algum tempo receberam esta terra como um domínio próprio que mantiveram por cerca de 200 anos, transmitindo o poder de forma hereditária. Na batalha de Dagor Bragollach (455), graças à defesa natural constituída pelas Ered Wethrin, Hithlum não foi conquistada por Morgoth.

 

Entretanto, Hithlum foi finalmente tomada na Batalha das Lágrimas Incontáveis - Nirnaeth Arnoediad - e o domínio da casa de Hador sobre Dor-Lómin foi destruído quando aquela terra foi entregue aos Orientais aliados de Morgoth na Batalha (472). Dentre aqueles que conseguiram escapar livres, muitos fugiram para as montanhas e ali formaram grupos de refugiados. Um desses grupos abrigou Tuor, filho de Huor e único herdeiro homem da casa de Hador, que mais tarde fugiu de Hithlum e encontrou a cidade oculta de Gondolin.
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Nevrast: O primeiro lar de Turgon em Beleriand
Nevrast era um vale cercado por montanhas a leste e a oeste, das quais nenhum rio partia. Este vale era ligeiramente côncavo, e no centro havia uma região de vastos pântanos, no meio dos quais situava-se o lago Linaewen. A região era habitada por elfos Sindar ainda antes do retorno de Morgoth, mas com isso e com a chegada dos Noldor a Beleriand, Turgon, filho de Fingolfin, tomou posse de Nevrast conduzindo os de sua casa após anos vivendo na região do lago Mithrim. A união entre os Sindar e os Noldor foi mais rápida e efetiva em Nevrast em comparação com outras terras em Beleriand, e todos os habitantes da região (elfos e homens) tomaram Turgon por senhor.

 

Entretanto, em 64 PE, logo após a batalha de Dagor Aglareb, Turgon iniciou a construção da cidade de Gondolin no vale oculto de Tumladen. Quando a cidade ficou pronta, em 116, ele e seu povo deixaram Nevrast e seguiram para Gondolin, nisso o vale de Nevrast permaneceu desabitado, pois estranhamente nenhum elfo ou homem desejou se estabelecer lá, e assim continuou até a época da Dagor Bragollach, mais de trezentos anos depois da partida do povo de Turgon.
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Vinyamar: A Fortaleza de Turgon em Nevrast
Vinyamar era a fortaleza de Turgon e sua corte em Nevrast. Ela consistia em um esplêndido palácio todo construído em pedra sobre os rochedos costeiros, junto ao monte Taras, que marcava a extremidade oeste das Ered Wethrin. Esse palácio possuía em sua entrada uma escadaria larga que conduzia para os vastos salões interiores. O salão do trono de Turgon possuía pilares altos de pedra, e seu tamanho inspirava temor e reverência nos visitantes; a luz entrava por janelas altas, que ficavam na direção oeste, numa lembrança da luz perdida que vinha das Terras Imortais. O trono de Turgon era esculpido de um único bloco de pedra, e ficava sobre uma plataforma, também voltada para o oeste, o palácio em sí era bastante grande, e possuía terraços em vários pavimentos, todos voltados na direção do mar.

 

Após a partida do povo de Turgon para a recém-construída cidade de Gondolin no vale de Tumladen em 116, o palácio de Vinyamar permaneceu abandonado até a época em que Tuor , fugindo de Dor-Lómin, chegou até o que restava dele e encontrou ali as armas que Turgon havia deixado para servirem ao mensageiro de Ulmo (495). Tuor partiu, e Vinyamar continuou abandonada, acredita-se que até a destruição de Beleriand esta fortaleza nunca tenha sido repovoada.
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Gondolin: A Cidadela Oculta de Turgon
Gondolin erguia-se sobre Amon Gwareth, o Monte da Vigia, no vale oculto de Tumladen, cercado pela cadeia circular do Crissaegrim. Havia uma única entrada para o vale através das montanhas: Orfalch Echor, uma ravina profunda e estreita no lado oeste das montanhas. Esse caminho era barrado contra intrusões por sete maciços portais fortificados, cada um deles com sua própria guarda. A cidade, dos muros às casas e ao pavimento, era construída em mármore e pedra. Havia jardins de flores e árvores antigas e fontes ao longo dos quarteirões, e torres de mármore esculpido em baixos-relevos.

 

A torre mais alta e afamada era a do palácio de Turgon; diante das portas do palácio ficavam Glingal e Belthil, as imagens das árvores de Valinor construídas pelo próprio Turgon. Turgon começara a planejar esta cidade quando ainda vivia em Vinyamar, depois de ter sido guiado por Ulmo até Tumladen. Apreciando a segurança do vale oculto, após a Dagor Aglareb Turgon havia feito construir ali a cidade, e quando esta ficou pronta, ele ordenou a partida gradual do povo para lá (116). Em Gondolin aquele povo viveu em isolamento por quase quatrocentos anos. Nesse período, em apenas uma ocasião eles interviram nas guerras de Beleriand: na Nirnaeth Arnoediad, da qual só conseguiram escapar graças à resistência do povo de Hador, que com grande perda bloqueou o passo do Sirion na retaguarda de Turgon e deteve ali os Orcs que os teriam destruído ou perseguido até a cidade.

 

Após esse episódio, Turgon reforçou sua política de isolamento. Entretanto, no ano do Inverno Mortal (495-496), Tuor, portando de Nevrast a mensagem de Ulmo para Turgon, encontrou a entrada secreta do vale e foi admitido na cidade. Tuor obteve o favor do rei e casou-se com sua filha Idril, despertando com isso o ódio de Maeglin, que traiu a cidade, revelando a sua localização para Melkor. Em 510, Melkor lançou um exército de orcs, balrogs, lobos e dragões sobre Gondolin, e a cidade foi destruída. Os fugitivos dirigiram-se para o Delta do Sirion, onde naquela época havia um enclave élfico fundado por refugiados de outras regiões de Beleriand tomadas por Melkor pouco antes.
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Barad Eithel: A Fortaleza de Fingolfin
Eithel Sirion era a nascente, junto à encosta leste das Ered Wethrin, do rio Sirion, que corria na direção norte-sul desde as montanhas do norte até a Baía de Balar, delimitando as porções leste e oeste de Beleriand. Na encosta das Ered Wethrin, acima de Eithel Sirion, os Noldor de Hithlum haviam construído Barad Eithel, sua principal fortaleza em Hithlum, de onde eles vigiavam Anfauglith constantemente. No topo das montanhas naquela região havia um passo que dava acesso a Mithrim. Barad Eithel havia sido construída ainda na época em que os Noldor concentravam-se em torno do lago Mithrim. Diz-se que foi das cercanias daquela fortaleza que Fëanor teve sua última visão das Thangorodrim, as montanhas de Morgoth.

 

A fortaleza foi atacada duas vezes na época da Dagor Bragollach. No primeiro ataque, durante a Batalha, pereceu Hador dos Cabelos Dourados. O segundo ataque ocorreu sete anos mais tarde: Eithel Sirion foi cercada, e nesta ocasião foi morto Galdor, filho de Hador (462). Na Nirnaeth Arnoediad, o exército de Fingon posicionou-se nas encostas das Ered Wethrin, próximo à Barad Eithel; foi ali, diante das muralhas da torre, que Gelmir, irmão de Gwindor de Nargothrond, foi morto pela vanguarda dos exércitos de Morgoth como provocação, o que precipitou a Batalha (472).
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Tol Sirion: A Ilha Fortaleza sobre o Sirion
Tol Sirion era uma pequena ilha localizada no Vale do rio Sirion, esta era uma posição estratégica para a guerra e ficava entre Ered Wethrin e as montanhas de Dorthonion, por onde passava o grande rio antes de chegar a Beleriand. Nesta havia sido construída Minas Tirith, a torre de vigia, feita por Finrod Felagund nos primeiros tempos da chagada dos Noldor em Beleriand. Desta torre todo o vale do Sirion (que era uma brecha natural para a passagem de tropas inimigas vindas de Angband para o sul) podia ser mantido sob guarda. Quando Nargothrond foi completada, Felagund partiu, deixando a torre sob a guarda de seu irmão Orodreth.

 

Dois anos após a Dagor Bragollach, entretanto, Sauron atacou e tomou Minas Tirith, e Orodreth fugiu para Nargothrond. A ilha foi rebatizada então Tol-im-Gaurhoth, a Ilha dos Lobisomens, e a torre passou a ser usada como um posto de vigia sob o controle de Morgoth. Mais tarde, Beren, filho de Barahir, e Felagund, procurando passagem através do passo do Sirion a caminho do norte, foram aprisionados na torre, e lá, Felagund foi morto; mas Lúthien, vindo resgatá-los, tomou e destruiu Minas Tirith com a ajuda de Huan, e libertou Beren. Felagund foi enterrado na colina mais alta da ilha, e esta permaneceu dali por diante livre de qualquer influência maligna (465).
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Brethil: O Lar da Casa de Haleth

 

Brethil era uma floresta de árvores frondosas, separada pelo rio Sirion das florestas de Neldoreth e Region, que formavam o reino de Doriath. A segurança relativa oferecida pela vegetação fechada era apreciada pelos seus habitantes. Lá viviam os Haladin, homens com gosto para a vida nos ermos em propriedades livres e esparsas. No meio da floresta havia uma colina, Amon Obel; ali viviam os senhores dos Haladin, os descendentes de Lady Haleth, que os trouxera do leste de Beleriand para aquela terra. Os Haladin haviam chegado a Brethil durante a Longa Paz, conduzidos por Lady Haleth através da perigosa estrada que passava a norte de Doriath e ao sul de Nan Dungortheb. Thingol de Doriath, que clamava aquela floresta como parte do seu reino, permitiu que os Haladin vivessem livres em Brethil a pedido de Finrod Felagund.

 

Ali eles estabeleceram-se, e viveram em paz até o rompimento do cerco de Angband na Dagor Bragollach, quando então passaram a combater as hordas de Orcs que entravam em Beleriand pelo Passo do Sirion, depois da queda de Tol Sirion (457). Os Haladin participaram também da Nirnaeth Arnoediad, onde sofreram grandes baixas das quais eles nunca se recuperaram (472). Após a Nirnaeth, o povo, agora consideravelmente diminuído, não pôde mais continuar a combater os Orcs vindos do Norte; então, eles se retiraram para o interior da floresta de Brethil, concentrando-se em torno de Amon Obel. Túrin Turambar viveu seus últimos anos em Brethil entre os Haladin, e ali veio a morrer após ter matado Glaurung, pai dos dragões (499).
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Amon Rûdh: O Monte Calvo
Amon Rûdh, o monte Careca, ficava em Beleriand Ocidental , e era um monte isolado que ficava na extremidade oriental das terras altas pantanosas que subiam entre os vales do Sirion e do Narog, nas terras a sul de Brethil. Erguia-se a cerca de trezentos metros da sua base e tinha uma coroa, uma grande massa como um íngreme barrete de pedra com um topo nu e achatado. Parecia que a sua cabeça nua vigiava muitas léguas de terras selvagens. Do seu lado norte saía uma projeção plana e quase quadrada, que não podia ser vista de baixo, pois atrás dela erguia-se a coroa do monte como uma muralha, e a ocidente e oriente da sua beira desciam penhascos abruptos. Havia uma lagoa clara e à sua volta um pequeno bosque de bétulas anãs. Toda a coroa tinha um urzal pedregoso, coberta por plantas vermelhas chamadas seregon. À volta das encostas inferiores cresciam maciços de aeglos; mas a íngreme cabeça cinzenta apresentava-se nua, com exceção do seregon vermelho que cobria a pedra. Morada de Mîm e dos Pequenos Anões, que davam o nome de Sharbhund a Amon Rûdh e Bar-en-Nibin-noeg à sua casa, numa caverna que nenhum homem ou elfo ainda tinha visto; depois foi o esconderijo de Túrin e do seu bando, passando a chamar-se Bar-en-Danwedh, a Casa do Resgate.
Mais tarde Beleg Cúthalion encontrou Túrin e, não o conseguindo convencer a regressar a Doriath, juntou-se ao seu bando. E passaram a combater todos os orcs e criaturas maléficas de Morgoth; e toda a região entre o Teiglin e o limite ocidental de Doriath passou a ser conhecida como Dor-Cúarthol, a Terra do Arco e do Elmo e o refúgio de Amon Rûdh, Echad i Sedryn (Campo dos Fiéis). O poder de Angband foi repelido e a fama dos feitos dos dois capitães ouvida em todo o lado. Mas assim se revelou Turin a Morgoth, pois pelo Elmo do Dragão de Dor-lómin ficou a saber onde ele se encontrava, e não tardou que Amon Rûdh ficasse cercado de espiões. Mîm, o Pequeno Anão, foi apanhado pelos Orcs quando procurava raízes nas terras selvagens para a sua reserva de Inverno e prometeu conduzir os seus inimigos pelos caminhos secretos que levavam à sua casa no Amon Rûdh. Guiados por ele, os Orcs atacaram Bar-en-Danwedh, a Casa do Resgate durante a noite, e lá morreram, enquanto dormiam, muitos dos companheiros de Túrin. Este foi feito prisioneiro e levaram-no para Angband. Mas Beleg, apesar de muito ferido, conseguiu sobreviver e seguiu os Orcs, na esperança de salvar Túrin. Mîm, o último do seu povo, foi mais tarde para Nargothrond e lá foi morto por Húrin.
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Doriath: O Reino Oculto de Thingol
As florestas guardadas de Doriath, em Beleriand Oriental, ficavam a Sul de Nan Dungortheb, o Vale da Morte Terrível, região povoada de medo para onde fugira Ungoliant, e eram limitadas a sul e este pelo rio Aros e a fronteira ocidental era a floresta de Nivrim, na confluência do Teiglin, do Sirion e dos lagos do crepúsculo. A sua parte setentrional e inferior, a floresta de Neldoreth, era limitada a oriente e a sul pelo escuro rio Esgalduin; e entre o Aros e o Esgalduin ficavam as mais densas e maiores florestas de Region. Na margem sul do Esgualdiun, onde o rio virava para ocidente na direção do Sirion, ficavam as cavernas de Menegroth; e toda Doriath ficava a oriente do Sirion, com exceção da estreita região florestal Nivrim, a fronteira ocidental. A sudoeste de Doriath havia grandes lagos e pântanos de cada lado do rio, eram os lagos do crepúsculo, Aelin-uial, pois estavam envoltos em névoas e sujeitos aos encantamentos de Doriath.

 

Era o reino do rei Elwë, Elu Thingol em Sindarin, o rei Manto Cinzento, e de Melian, a Maia; primeiro chamado Eglador, mas depois da volta de Morgoth para Angband, Melian serviu-se dos seus poderes e cercou todo o domínio com uma parede invisível de sombra e confusão, a Cerca de Melian, e passou a chamar-se Doriath, o Reino Guardado ou Terra da Cerca, onde ninguém entrava, a não ser por vontade dos seus senhores. A morada real de Thingol e Melian era Menegroth, as Mil Cavernas, na margem do Esgalduin, que separava as florestas Neldoreth de Region. Construíram uma ponte de pedra sobre o rio, única maneira de transpor as portas do palácio. Para lá delas desciam largos corredores para altos salões e câmaras, abertos a grande profundidade na pedra viva, com muitas imagens da beleza de Valinor, e com grandes jardins à volta. Era a mais bela residência de qualquer rei que já existira a oriente do mar, e Elfos e Anões participaram nesse labor. Depois da morte de Thingol, operou-se uma mudança em Melian, o seu poder foi retirado e ela partiu para Valinor. Doriath ficou aberta aos seus inimigos e o exército dos Anões saquearam Menegroth. Dior, filho de Lúthien e Beren, herdeiro de Thingol, impôs a si próprio a tarefa de erguer de novo a glória de Doriath; mas os filhos de Fëanor atacaram Menegroth, quando souberam que ele tinha o silmaril. Assim se deu a 2ª matança de elfo por elfo, e Doriath foi destruída para nunca mais se erguer.
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Estolad: O Grande Acampamento
Estolad localizava-se em Beleriand oriental ao sul de Nan Elmoth, chegando junto à margem do rio Celon. Consistia em uma planície verde e fértil, na qual os três povos edaínicos habitaram sucessivamente antes de prosseguirem para as terras mais a oeste. O povo de Bëor foi o primeiro dos povos edaínicos a se estabelecer em Estolad. Eles dirigiram-se para lá a conselho de Finrod Felagund depois de cruzar as Montanhas Azuis (310) e atravessar Ossiriand, onde os Elfos Verdes, senhores daquelas terras, não permitiram que eles ficassem. Felagund permaneceu com os bëorianos em Estolad por cerca de um ano, e mesmo após sua partida ele retornava freqüentemente para visitá-los. O segundo povo edaínico a se dirigir para Estolad foi o povo de Marach. Eles atravessaram as Montanhas Azuis pouco depois dos bëorianos (313), e, tendo tido notícias destes, atravessaram Ossiriand dirigindo-se diretamente para Estolad. Ali eles se estabeleceram a sudeste dos bëorianos, com os quais desenvolveram grande amizade e cooperação.

 

Entretanto os Edain não permaneceram satisfeitos por muito tempo em Estolad. Para isso contribuíram o contato que eles tinham com os Eldar, que os visitavam com freqüência; o desejo dos jovens entre eles de tomarem serviço entre os Eldar e aprenderem mais sobre a cultura destes; e o seu próprio desejo de prosseguir em direção ao oeste. Os senhores dos Noldor, vendo nos Edain possíveis aliados de valor em sua guerra contra Morgoth, convidaram-nos para viver em suas terras a oeste, e os guiaram através da perigosa estrada ao longo da fronteira norte de Doriath. Assim, num prazo de cinqüenta anos (330-380), milhares dentre os Edain deixaram Estolad para viver nas terras dos Noldor. Os bëorianos que partiram nessa época foram para Dorthonion; dentre os marachianos, a maior parte dirigiu-se para Hithlum, mas alguns ficaram nos vales junto à encosta sul das Ered Wethrin. Os que permaneceram em Estolad migraram mais tarde para o sul ou voltaram para Eriador, a leste das Montanhas Azuis; o restante foi destruído na invasão de Beleriand Oriental após a Dagor Bragollach.

 

Durante todo esse período os haladin, que haviam atravessado as Montanhas Azuis logo após os bëorianos (312), haviam vivido na parte sul de Thargelion, para onde eles haviam se dirigido depois de encontrarem inimizade da parte dos Elfos Verdes em Ossiriand. Os elfos de Thargelion permitiram que eles habitassem ali, mas de resto não havia qualquer contato entre os dois povos. No final do período, entretanto, Morgoth enviou um exército de Orcs para atacar as habitações desguarnecidas dos haladin (375), como parte de sua política de hostilizar os Edain. A resistência solitária dos haladin, sitiados na confluência entre os rios Ascar e Gelion, foi sangrenta e desesperada; e mesmo tendo recebido socorro e a oferta tardia de uma aliança com os elfos de Thargelion, os sobreviventes decidiram partir para Estolad. Eles ficaram ali por um curto período de tempo (376-390), até que decidiram partir novamente e ir para o oeste, na trilha dos demais que haviam ido antes deles. Comandados por Lady Haleth, os haladin tomaram, sem qualquer orientação ou proteção, a estrada através da fronteira norte de Doriath; e foi após muito trabalho e perdas que eles finalmente cruzaram o vau do Brithiach no final da estrada e entraram em Brethil (391).
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Ossiriand: A Terra dos Sete Rios
Ossiriand compreendia a margem leste do rio Gelion até as Montanhas Azuis, entre os rios Ascar e Adurant. Era chamada a terra dos sete rios por causa do rio Gelion e dos seus seis tributários, cujas nascentes ficavam nos vales junto às montanhas. Os nomes desses rios, no sentido norte-sul, eram: Ascar, Thalos, Legolin, Brithor, Duilwen e Adurant. Na parte média do curso do Adurant ficava uma grande ilha, chamada Tol Galen por causa da vegetação que dominava ali. Ossiriand era coberta por bosques, em meio aos quais viviam seus habitantes, os Elfos Verdes. Os Elfos Nandor haviam vivido livres por séculos nas terras a leste das Montanhas Azuis, até que a multiplicação de criaturas malignas, prenúncio do retorno de Morgoth à Terra Média, forçou-os a procurar refúgio. Sob o comando de Denethor, os que viviam em Eriador atravessaram as Montanhas buscando a segurança nas terras de Beleriand sob o poder de Thingol.

 

Ali eles tiveram paz até a época do retorno de Morgoth, quando ocorreu a primeira das grandes batalhas de Beleriand, entre os elfos Sindar e Nandor e os Orcs de Angband. No leste os Orcs foram inteiramente destruídos, mas não sem antes exterminarem Denethor e toda a sua parentela próxima num cerco em Amon Ereb. Os Nandor de Ossiriand, sem armamento compatível com o dos Orcs, sentiram amargamente os efeitos daquela batalha. Após o estabelecimento do Cinturão de Melian, muitos procuraram refúgio na segurança de Doriath.

 

Os que permaneceram em Ossiriand não tomaram para si um novo rei, e decidiram levar suas vidas dali por diante em reclusão e vigia, evitando intervir nos acontecimentos fora de suas bordas e repelindo estranhos. Eles vestiam-se de verde na primavera e no verão (sendo por essa razão chamados Elfos Verdes), e sua habilidade nos bosques era tal que eles eram capazes de passarem inteiramente despercebidos para os estranhos. Sua única participação digna de nota em eventos externos foi na destruição do exército de Anões que voltava do saque a Doriath (503) passando pela sua fronteira norte. A ação foi comandada por Beren filho de Barahir, que viveu com Lúthien em Tol Galen depois de seu retorno. Os Noldor que visitavam Beleriand Oriental chamavam aquela terra Lindon por causa da música dos Elfos Verdes, que podia ser ouvida do outro lado do rio Gelion. Dentre esses o mais assíduo era Finrod Felagund, que tornou-se amigos dos Elfos Verdes e encontrou em uma de suas visitas o povo de Bëor acampado junto à nascente do Thalos. Sob a orientação de Felagund, os bëorianos deixaram Ossiriand e dirigiram-se para Estolad, para onde foram seguidos pelas ondas migratórias subseqüentes de povos edaínicos. Ossiriand jamais foi ocupada pelos povos de Morgoth, mesmo após as duas batalhas que selaram a ruína de Beleriand, a Dagor Bragollach (455) e a Nirnaeth Arnoediad (472). Após a Guerra da Ira (545-587), Ossiriand, poupada do afundamento de Beleriand, foi fendida em duas partes pelo golfo do Lhûn.
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Eithel Ivrin: As Águas Protegias de Ulmo
Eithel Ivrin, o "Poço do Ivrin" ou "Cataratas do Ivrin", era a nascente do rio Narog, na face meridional de Dor-lómin, sob as Ered Wethrin, as Montanhas da Sombra. Essas águas eram protegidas por Ulmo, o Senhor das Águas. O ruidoso Narog era o principal rio de Beleriand ocidental, e corria cerca de 80 léguas antes de se juntar ao Sirion, em Nan-tathren, a Terra dos Salgueiros. O rio Ginglith desaguava no Narog acima de Nargothrond, passava sobre uma garganta profunda e corria sobre rápidos, mas não tinha nenhuma queda. Do lado ocidental desta garganta lançava-se no Narog o curto ribeiro Ringwil, e foi aí que Finrod Felagund estabeleceu a sua grande fortaleza. Junto ao Eithel Ivrin, aos pés das Montanhas da Sombra, as terras eram verdes e belas. Foi aí que Fingolfin, rei dos Noldor, fez a Mareth Aderthad, a festa da Reunião. Também foi nos Lagos de Ivrin, protegidos por Ulmo, que Túrin, ao beber da sua água, conseguiu finalmente curar a sua loucura pela morte de Beleg. Acabou por ser conspurcado por Glaurung, quando este passou para o reino de Nargothrond.
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Monte Dolmed: O Maior pico das Montanhas Azuis
O Monte Dolmed destacava-se por uma grande distância entre as montanhas que formavam a porção média da cadeia montanhosa das Ered Luin. Posicionava-se no lado oeste da cadeia, a norte de Nogrod e a sul de Belegost. Nogrod e Belegost eram cidades dos anões que ficavam, ambas, no outro lado das montanhas. A estrada dos Anões, que vinha desde o leste das Ered Luin, atravessava a cadeia e conduzia até o rio Gelion e além, passava pelas encostas inferiores do lado sul da montanha. O Monte Dolmed jamais foi ocupado permanentemente; mas, pela sua posição adiantada em relação ao restante das Ered Lindon e pela sua altura, constituía um refúgio natural em caso de fuga ou perseguição, e também um excelente ponto de posicionamento de tropas em preparação para um ataque ou uma embos